Questão nº 43
Questão de Oftalmologia · FGV FHEMIG 2023 (nº 43)
Paciente de 48 anos, motorista de caminhão, foi submetido à facectomia com implante de lente intraocular de câmara anterior em ambos os olhos, para tratamento de subluxação dos cristalinos.
Algum tempo depois foi diagnosticado com ceratopatia bolhosa pseudofácica no olho direito, quando lhe foi sugerido um procedimento cirúrgico.
Para o caso descrito, assinale a opção que apresenta o procedimento mais indicado.
- ACeratoplastia lamelar anterior, que tem a vantagem de não penetrar na câmara anterior, respeitando o endotélio corneano, diminuindo assim os riscos de rejeição, atalamia, infecções e sinéquias.
- BTroca da lente intraocular de câmara anterior para uma de câmara posterior, com fixação escleral sem suturas, conforme a técnica de Shin Yamane.
- CCeratoplastia lamelar posterior, que tem como vantagem não interferir com as camadas anteriores da córnea receptora e a córnea doadora deve ter o endotélio saudável. (alternativa correta)
- DAgulhamento da córnea para diminuir o edema estromal da ceratopatia bolhosa e transplante de membrana amniótica conforme a técnica de Tseng.
- ETroca da lente intraocular de câmara anterior por uma lente intraocular de câmara posterior de três peças, com fixação escleral por meio de suturas ou fixação no sulco ciliar.
Resposta comentada
Gabarito Alternativa C
A ceratopatia bolhosa pseudofácica é uma condição em que a córnea (a camada transparente na frente do olho) incha e forma bolhas devido a danos nas células do endotélio (a camada mais interna da córnea), geralmente após uma cirurgia de catarata com implante de lente intraocular.
(A) Incorreta: A ceratoplastia lamelar anterior (ALK) substitui as camadas frontais da córnea. A ceratopatia bolhosa pseudofácica é um problema do endotélio (camada mais interna), e a ALK não corrige essa disfunção, portanto não é o tratamento adequado para a causa do inchaço.
(B) Incorreta: A troca da lente intraocular (LIO) de câmara anterior para posterior pode ser considerada para remover a causa do dano endotelial (se a LIO estiver tocando o endotélio), mas não trata a ceratopatia bolhosa já estabelecida, ou seja, o dano endotelial e o edema corneano que já ocorreram.
(C) Correta: A ceratoplastia lamelar posterior (como DMEK ou DSAEK) é o procedimento de escolha para a ceratopatia bolhosa. Ela substitui apenas a camada endotelial doente por uma saudável, preservando as camadas anteriores da córnea do receptor. Isso trata diretamente a causa do edema (disfunção endotelial) com menor risco cirúrgico e recuperação mais rápida em comparação com um transplante de córnea de espessura total.
(D) Incorreta: O agulhamento da córnea é um procedimento paliativo para aliviar a dor em casos avançados de ceratopatia bolhosa, mas não restaura a visão nem trata a causa do problema. O transplante de membrana amniótica pode ajudar na cicatrização superficial, mas não substitui o endotélio danificado. Não são soluções definitivas para a visão.
(E) Incorreta: Assim como na alternativa B, a troca da lente intraocular (LIO) de câmara anterior por uma de câmara posterior pode ser uma medida para evitar mais danos ou remover a causa, mas não é o tratamento primário para a ceratopatia bolhosa já instalada. A armadilha da banca aqui é focar na causa (LIO de câmara anterior) e não na consequência (a ceratopatia bolhosa que precisa ser tratada). O procedimento mais indicado para a ceratopatia em si é o transplante endotelial.
Fonte: FGV FHEMIG 2023 Oftalmologia (Caderno Tipo 1). Reproduzida para fins de estudo.