Questão nº 45
Questão de Auditoria Governamental e Controle Interno · FGV CGU 2021 - Tarde (nº 45)
Mário é o atual responsável por uma Unidade de Auditoria Interna Governamental (UAIG) e exerceu recentemente a função de chefe do setor de licitações e contratos da entidade à qual a UAIG está vinculada.
Nesse caso, eventual trabalho de avaliação que tenha por objeto licitações ou contratos que foram geridos por Mário:
- Adeverá ser supervisionado por uma unidade externa à UAIG; (alternativa correta)
- Bnão poderá ser realizado pelo órgão de controle interno, mas sim pelo controle externo;
- Cdeverá ser supervisionado por outro auditor interno da UAIG, que não seja Mário;
- Dpoderá ser executado após decorridos vinte e quatro meses da exoneração de Mário da função de chefe do setor de licitações e contratos;
- Edeverá deixar registrada, no relatório final, informação a respeito da participação do responsável pela UAIG na gestão do objeto auditado.
Resposta comentada
Gabarito Alternativa A
A independência e objetividade são cruciais para o auditor interno; significam que ele deve ser imparcial e não ter interesses pessoais que possam influenciar seu julgamento ao avaliar algo. Quando um auditor precisa auditar um trabalho que ele mesmo realizou ou supervisionou anteriormente, há um conflito de interesse, pois sua capacidade de ser objetivo fica comprometida.
- (A) Correta: Quando o responsável pela Unidade de Auditoria Interna Governamental (UAIG) tem um conflito de interesse direto com o objeto a ser auditado (pois ele mesmo o gerenciou), a supervisão desse trabalho deve vir de uma unidade externa à UAIG. Isso garante que a independência e a objetividade do processo de auditoria sejam mantidas, removendo qualquer influência (direta ou indireta) do responsável da UAIG sobre a avaliação de seu próprio trabalho. É uma medida para assegurar a credibilidade da auditoria.
- (B) Incorreta: Não é verdade que o controle interno não possa realizar o trabalho. A questão é como gerenciar o conflito de interesse. Se a supervisão for externa, o controle interno ainda pode executar a auditoria.
- (C) Incorreta: Armadilha da banca! Embora a ideia de que Mário não deve fazer o trabalho seja correta, ter outro auditor da mesma UAIG supervisionando ainda deixa a responsabilidade final e a hierarquia sob Mário, que é o chefe da UAIG. Isso cria uma aparência de falta de independência e pode comprometer a credibilidade da auditoria, pois a influência de Mário (mesmo que indireta) ainda estaria presente na cadeia de comando da unidade. Para um conflito envolvendo o chefe da unidade, é necessária uma medida mais robusta para garantir a independência.
- (D) Incorreta: A regra dos "vinte e quatro meses" (ou "cooling-off period") geralmente se aplica a situações onde um profissional não pode auditar uma entidade onde trabalhou após sair da entidade e antes de assumir o papel de auditor, ou para certas restrições de contratação. No caso, Mário já está na UAIG e o conflito é sobre auditar seu trabalho passado. Não é prático nem a solução padrão esperar 24 meses para auditar um processo, se o conflito pode ser mitigado de outra forma.
- (E) Incorreta: A mera divulgação do conflito no relatório, embora seja uma boa prática de transparência, não é suficiente para resolver o problema de independência e objetividade. É preciso uma ação concreta para mitigar o conflito, e não apenas registrá-lo.
Fonte: FGV CGU 2021 - Tarde Auditor Federal de Finanças e Controle - Área Auditoria e Fiscalização (Caderno Tipo 1). Reproduzida para fins de estudo.