Questão nº 119
Questão de Administração Pública · FGV CGE-SP 2025 (nº 119)
Dados da Companhia de Engenharia de Tráfego (CET) revelam uma redução de 47,2% no número de mortes de motociclistas, caindo de 36, em 2023, para 19, em 2024.
A análise (…) aplica modelos de Diferença-em-Diferenças específicos de adoção escalonada para estimar os efeitos da intervenção. Em todas as especificações, os impactos estimados foram pequenos e estatisticamente indistintos de zero.
Sobre a natureza da evidência e a conclusão cabível, à luz do enunciado, assinale a afirmativa correta.
- APMSP: evidência causal; Insper: o estudo é apenas descritivo por causa da metodologia empregada.
- BPMSP: comparação antes–depois é correlacional, sem contrafactual; Insper: avaliação causal com contrafactual (DiD de adoção escalonada) que não detectou efeito significativo, portanto não se pode afirmar causalidade. (alternativa correta)
- CAmbos apresentam evidências causais.
- DAs estimativas "indistintas de zero" significam que o efeito da Faixa Azul é negativo; logo a Faixa Azul piora os sinistros.
- EA divergência se explica porque a PMSP mediu eficácia e o Insper mediu eficiência; portanto, não há conflito metodológico.
Resposta comentada
Gabarito Alternativa B
O conceito-chave aqui é a inferência causal em avaliação de políticas públicas. Inferir causalidade significa determinar se uma intervenção (como a "Faixa Azul") causou uma mudança no resultado (como a redução de mortes), e não apenas se a mudança ocorreu após a intervenção. Para isso, precisamos de um contrafactual, que é o que teria acontecido na ausência da intervenção.
- (A) Incorreta: A PMSP apresenta uma simples comparação antes-depois, que é correlacional e não causal, pois não estabelece um contrafactual. O estudo do Insper, ao usar Diferença-em-Diferenças (DiD), é uma metodologia de avaliação causal, não apenas descritiva.
- (B) Correta: A PMSP apresenta uma comparação antes-depois, que é uma evidência correlacional (mostra que as coisas mudaram juntas no tempo), mas não causal, pois não há um contrafactual (não sabemos o que aconteceria sem a intervenção). O estudo do Insper utiliza Diferença-em-Diferenças (DiD), uma metodologia de avaliação causal que constrói um contrafactual para isolar o efeito da intervenção. No entanto, como os impactos foram "estatisticamente indistintos de zero", significa que o estudo não encontrou evidências estatisticamente significativas de um efeito causal da intervenção, e, portanto, não se pode afirmar que a intervenção causou a redução observada.
- (C) Incorreta: A evidência da PMSP (comparação antes-depois) não é causal, pois não isola o efeito da intervenção de outros fatores que poderiam ter ocorrido simultaneamente.
- (D) Incorreta: Esta é a armadilha mais comum. "Estatisticamente indistinto de zero" significa que, com a confiança estatística adotada, não se pode afirmar que o efeito é diferente de zero (nem positivo, nem negativo). Não significa que o efeito é negativo ou que a Faixa Azul piora os sinistros; significa que não há evidência suficiente para concluir que ela teve qualquer efeito (positivo ou negativo).
- (E) Incorreta: Ambos os estudos estão avaliando a eficácia da política (o impacto nos resultados, como mortes), e não a eficiência (relação custo-benefício). A divergência é fundamentalmente metodológica, sobre como se chega à conclusão sobre o impacto.
Fonte: FGV CGE-SP 2025 Auditor Estadual de Controle - Contabilidade Pública e Finanças (Caderno Tipo 1). Reproduzida para fins de estudo.