Questão nº 66

Questão de Direito do Trabalho · FGV ALEP 2024 (nº 66)

FGV2024ProcuradorDireito do Trabalho
Gabarito: Ever comentário ↓

Iralton, Regina e Carla são amigos de infância, e coincidentemente trabalham na mesma empresa em Londrina/PR. Na trajetória acadêmica de cada um, Iralton deixou o colégio após o ensino médio, Regina finalizou uma graduação e Carla foi além, obtendo título num mestrado concluído com sucesso. Os amigos ocupam cargos diferentes na empresa, sendo que Carla recebe salário mensal de R$32.000,00.
É chegado o momento de fruir férias. Iralton, que é pai de uma estudante de 15 (quinze) anos, requereu em março o adiantamento da 1ª parcela do 13º salário para receber junto com suas férias; Regina, cujo esposo trabalha na mesma empresa mas em outro setor, requereu a conversão de 1/3 das férias em pecúnia dez dias antes do início delas; Carla não gozará férias porque ocupa um cargo estratégico, de grande relevância, e acertou em acordo particular com o empregador que aproveitará férias a cada 2 (dois) anos mas, em compensação, poderá escolher uma passagem aérea internacional de ida e volta, na classe executiva, que será paga pela empresa.
Considerando as situações desses empregados e a norma de regência das férias, assinale a afirmativa correta.

Resposta comentada

Gabarito Alternativa E

As férias são um direito fundamental do trabalhador, garantido pela CLT, que visa ao descanso e à recuperação física e mental, sendo irrenunciáveis e indisponíveis, com regras específicas para sua concessão, pagamento e eventuais conversões.

  • A) Incorreta: O acerto de Carla é realmente ilegal, pois a acumulação de férias por dois anos é vedada pela CLT. No entanto, Iralton não tem um direito potestativo absoluto de coincidir suas férias com as escolares da filha; a lei prevê uma preferência, mas o empregador pode negar se houver prejuízo para a empresa (Art. 136, § 2º da CLT). Regina poderá ter o pedido de conversão negado, mas a justificativa para a incorreção da alternativa é a parte de Iralton.
  • B) Incorreta: Não é um direito de Iralton receber a 1ª parcela do 13º salário com as férias se o pedido for intempestivo (deve ser feito em janeiro, conforme Lei 4.749/65, Art. 2º, § 2º). Regina não tem direito potestativo de converter parte das férias em dinheiro se não cumprir o prazo legal (Art. 143, § 1º da CLT). O acerto de Carla é ilegal, mesmo para alto empregado, pois o direito a férias é indisponível.
  • C) Incorreta: O pedido de conversão de 1/3 das férias em pecúnia por Regina deveria ser feito até 15 (quinze) dias antes do término do período aquisitivo (Art. 143, § 1º da CLT), e não 30 dias antes do início das férias. Iralton não terá direito a receber as férias em dobro por atraso no pagamento; o pagamento em dobro ocorre se as férias forem concedidas fora do período concessivo (Art. 137 da CLT), e não por mero atraso no pagamento (que gera multa administrativa). O acordo individual com Carla é ilegal, independentemente do salário ou nível de escolaridade.
  • D) Incorreta: Existe previsão legal para o adiantamento da 1ª parcela do 13º salário com as férias (Lei 4.749/65, Art. 2º, § 2º), mas com a condição de ser solicitado em janeiro. A negociação de Carla é inválida porque o direito a férias é indisponível e a acumulação por dois anos é ilegal, mesmo com compensação. Regina poderá fruir férias com o marido mesmo em férias individuais, desde que não haja prejuízo para a empresa (Art. 136, § 1º da CLT).
  • (E) Correta: Regina poderá fruir férias na mesma oportunidade que o esposo se isso não causar prejuízo à empresa, conforme o Art. 136, § 1º da CLT. Iralton poderá ter o pedido de adiantamento da 1ª parcela do 13º salário negado porque o pedido foi feito em março, sendo intempestivo, já que a lei exige que seja feito no mês de janeiro do ano correspondente (Lei 4.749/65, Art. 2º, § 2º). O acerto de Carla é irregular (ilegal), pois a acumulação de férias por dois anos, mesmo com compensação, contraria o Art. 134 da CLT, que estabelece o período concessivo de 12 meses após o período aquisitivo, sendo o direito a férias irrenunciável.

Fonte: FGV ALEP 2024 Procurador (Caderno Tipo 1). Reproduzida para fins de estudo.

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