Questão nº 10
Questão de Língua Portuguesa · FCC TRT19 2022 (nº 10)
Estamos todos nos fanatizando?
O que separa alguém de convicções firmes de um fanático? A resposta não é fácil e pode mesmo ser impossível, ou antes subjetiva, dependente de crenças tão enraizadas em cada um de nós que mergulham no visceral, no irracional. Em resumo, fanatismo é a convicção firme dos que discordam de mim e portanto estão errados; convicção firme é o fanatismo de quem pensa como eu, logo está certo. As palavras não são inocentes.
Mas será só isso? Estaremos condenados a esse estranho oxímoro, o relativismo absoluto, e à morte do diálogo? Ou haverá um modo menos cínico de lidar com visões de mundo divergentes? Em outras palavras, será possível recuperar um solo comum em que adversários negociem, firmem pactos em torno de certos – talvez poucos, mas cruciais – objetivos compartilhados?
A palavra fanatismo tem duas acepções no Houaiss*. A primeira é "zelo religioso obsessivo que pode levar a extremos de intolerância". A segunda, derivada daquela por extensão, "facciosismo partidário; adesão cega a um sistema ou doutrina; dedicação excessiva a alguém ou algo; paixão". A palavra passou ao português (em fins do século 18) como versão importada do adjetivo latino derivado de "fanum", lugar sagrado, campo santo. O "fanaticus" tinha conotações positivas a princípio – era o inspirado pela chama divina –, mas não demorou a ganhar acepções como furioso, louco e delirante.*
É inteiramente regular o emprego do elemento sublinhado na frase:
- AEle se mostra plenamente confiante às ideias que propaga com tanta convicção.
- BÉ grande a convicção de cuja ele se vale ao propagar suas ideias.
- CAs ideias nas quais ele se dedica a divulgar traduzem um certo fanatismo.
- DA convicção com a qual suas ideias são defendidas espanta seus rivais. (alternativa correta)
- EAs ideias de que ele faz questão de propagar dificilmente são bem aceitas.
Resposta comentada
Gabarito Alternativa D
Para empregar corretamente um pronome relativo (como que, quem, cujo, o qual), é preciso observar a regência do verbo ou nome da oração subordinada. A preposição que acompanha o pronome relativo é determinada por essa regência.
- (A) Incorreta: Quem é "confiante", é confiante em algo. O correto seria "confiante nas ideias" (em + as).
- (B) Incorreta: O pronome "cuja" indica posse e deve vir seguido de um substantivo (ex: "a convicção cujo valor"). Além disso, o verbo "valer-se" exige a preposição de (valer-se de algo). O correto seria "da qual" ou "de que".
- (C) Incorreta: Quem se "dedica", se dedica a algo. O correto seria "às quais" (a + as quais).
- (D) Correta: As ideias são "defendidas com a convicção". O verbo "defender" (no sentido de usar algo como meio) pede a preposição com. O pronome "a qual" retoma "a convicção", e a preposição "com" está corretamente empregada.
- (E) Incorreta: A expressão é "fazer questão de algo" ou "fazer questão de + infinitivo". Na frase "ele faz questão de propagar as ideias", "as ideias" é objeto direto do verbo "propagar". Quando o pronome relativo "que" retoma um objeto direto, ele não deve ser precedido de preposição. Portanto, o correto seria "As ideias que ele faz questão de propagar". O "de" antes do "que" está incorreto, pois o "que" aqui funciona como objeto direto de "propagar", e não como objeto da preposição "de" exigida por "fazer questão".
Fonte: FCC TRT19 2022 Analista Judiciário - Área Apoio Especializado - Especialidade Tecnologia da Informação (Caderno Tipo 001). Reproduzida para fins de estudo.