Questão nº 7

Questão de Língua Portuguesa · FCC TRT19 2022 (nº 7)

FCC2022Analista Judiciário - Área Apoio Especializado - Especialidade Tecnologia da InformaçãoLíngua Portuguesa
Gabarito: Bver comentário ↓

Estamos todos nos fanatizando?

O que separa alguém de convicções firmes de um fanático? A resposta não é fácil e pode mesmo ser impossível, ou antes subjetiva, dependente de crenças tão enraizadas em cada um de nós que mergulham no visceral, no irracional. Em resumo, fanatismo é a convicção firme dos que discordam de mim e portanto estão errados; convicção firme é o fanatismo de quem pensa como eu, logo está certo. As palavras não são inocentes.

Mas será só isso? Estaremos condenados a esse estranho oxímoro, o relativismo absoluto, e à morte do diálogo? Ou haverá um modo menos cínico de lidar com visões de mundo divergentes? Em outras palavras, será possível recuperar um solo comum em que adversários negociem, firmem pactos em torno de certos – talvez poucos, mas cruciais – objetivos compartilhados?

A palavra fanatismo tem duas acepções no Houaiss*. A primeira é "zelo religioso obsessivo que pode levar a extremos de intolerância". A segunda, derivada daquela por extensão, "facciosismo partidário; adesão cega a um sistema ou doutrina; dedicação excessiva a alguém ou algo; paixão". A palavra passou ao português (em fins do século 18) como versão importada do adjetivo latino derivado de "fanum", lugar sagrado, campo santo. O "fanaticus" tinha conotações positivas a princípio – era o inspirado pela chama divina –, mas não demorou a ganhar acepções como furioso, louco e delirante.*


Ao analisar o sentido de fanatismo, o autor esclarece que essa palavra

Resposta comentada

Gabarito Alternativa B

O conceito-chave aqui é que o significado das palavras pode mudar e se expandir com o tempo, adquirindo novas aplicações e conotações.

(A) Incorreta: O texto afirma que a palavra tem origem religiosa ("fanum", lugar sagrado) e que o sentido político ("facciosismo partidário") é uma extensão, não sua raiz original.
(B) Correta: O texto detalha que a palavra "fanaticus" começou com conotações positivas religiosas, depois ganhou acepções negativas ("furioso, louco e delirante"), e o Houaiss apresenta uma primeira acepção de "zelo religioso obsessivo" (campo religioso radical) e uma segunda, derivada por extensão, que inclui "facciosismo partidário; adesão cega a um sistema ou doutrina; dedicação excessiva a alguém ou algo; paixão" (expandindo-se em outras obsessões).
(C) Incorreta: O texto não sugere que o fanatismo leva a uma "qualificação mais objetiva dos fatos"; pelo contrário, o primeiro parágrafo aponta para o caráter subjetivo e irracional.
(D) Incorreta: O texto explicitamente mostra que a palavra não conservou intacta sua conotação original, pois "não demorou a ganhar acepções como furioso, louco e delirante", e a acepção religiosa atual é de "zelo obsessivo", não de "paixões mais generosas".
(E) Incorreta: A raiz da palavra é religiosa ("fanum"), não política. O caráter pejorativo surgiu cedo, e a aplicação política é uma extensão, não a raiz do caráter negativo.

Fonte: FCC TRT19 2022 Analista Judiciário - Área Apoio Especializado - Especialidade Tecnologia da Informação (Caderno Tipo 001). Reproduzida para fins de estudo.

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