Questão nº 8

Questão de Língua Portuguesa · FCC TRT19 2022 (nº 8)

FCC2022Analista Judiciário - Área Apoio Especializado - Especialidade Tecnologia da InformaçãoLíngua Portuguesa
Gabarito: Ever comentário ↓

Estamos todos nos fanatizando?

O que separa alguém de convicções firmes de um fanático? A resposta não é fácil e pode mesmo ser impossível, ou antes subjetiva, dependente de crenças tão enraizadas em cada um de nós que mergulham no visceral, no irracional. Em resumo, fanatismo é a convicção firme dos que discordam de mim e portanto estão errados; convicção firme é o fanatismo de quem pensa como eu, logo está certo. As palavras não são inocentes.

Mas será só isso? Estaremos condenados a esse estranho oxímoro, o relativismo absoluto, e à morte do diálogo? Ou haverá um modo menos cínico de lidar com visões de mundo divergentes? Em outras palavras, será possível recuperar um solo comum em que adversários negociem, firmem pactos em torno de certos – talvez poucos, mas cruciais – objetivos compartilhados?

A palavra fanatismo tem duas acepções no Houaiss*. A primeira é "zelo religioso obsessivo que pode levar a extremos de intolerância". A segunda, derivada daquela por extensão, "facciosismo partidário; adesão cega a um sistema ou doutrina; dedicação excessiva a alguém ou algo; paixão". A palavra passou ao português (em fins do século 18) como versão importada do adjetivo latino derivado de "fanum", lugar sagrado, campo santo. O "fanaticus" tinha conotações positivas a princípio – era o inspirado pela chama divina –, mas não demorou a ganhar acepções como furioso, louco e delirante.*


O "fanaticus" tinha conotações positivas a princípio [...], mas não demorou a ganhar acepções como furioso, louco e delirante.
Uma nova, correta e coerente redação da frase acima, caso se a inicie por O "fanaticus" não demorou a ganhar acepções como furioso, louco e delirante, deverá complementar-se com a seguinte construção:

Resposta comentada

Gabarito Alternativa E

A correlação verbal é a relação lógica e gramatical entre os tempos e modos dos verbos em uma frase, garantindo que a sequência de ideias seja coerente. Conjunções concessivas, como "conquanto", introduzem uma ideia que expressa uma ressalva ou um contraste em relação à oração principal, mas sem impedir sua realização.

(A) Incorreta: "mesmo porque" introduz uma causa ou explicação, não uma concessão ou contraste. Além disso, "houvesse de ter" (pretérito imperfeito do subjuntivo) não se encaixa bem no contexto de um fato passado.
(B) Incorreta: "desde que" pode indicar condição ("contanto que") ou tempo ("a partir do momento em que"), mas não expressa a ideia de contraste ou concessão necessária aqui.
(C) Incorreta: "uma vez que" introduz uma causa ou justificativa, o oposto do que a frase original ("mas") indica.
(D) Incorreta: "em virtude de" também expressa causa ou razão, não a oposição ou ressalva que a frase exige.
(E) Correta: "conquanto" é uma conjunção concessiva, equivalente a "embora" ou "ainda que". Ela estabelece corretamente a relação de contraste entre o fato de o "fanaticus" não ter demorado a ganhar acepções negativas e o fato de, a princípio, ter tido conotações positivas. O uso do pretérito imperfeito do subjuntivo ("tivesse") após "conquanto" está gramaticalmente correto e adequado ao contexto.

Fonte: FCC TRT19 2022 Analista Judiciário - Área Apoio Especializado - Especialidade Tecnologia da Informação (Caderno Tipo 001). Reproduzida para fins de estudo.

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