Questão nº 9

Questão de Língua Portuguesa · FCC TRT19 2022 (nº 9)

FCC2022Analista Judiciário - Área Apoio Especializado - Especialidade Tecnologia da InformaçãoLíngua Portuguesa
Gabarito: Aver comentário ↓

Estamos todos nos fanatizando?

O que separa alguém de convicções firmes de um fanático? A resposta não é fácil e pode mesmo ser impossível, ou antes subjetiva, dependente de crenças tão enraizadas em cada um de nós que mergulham no visceral, no irracional. Em resumo, fanatismo é a convicção firme dos que discordam de mim e portanto estão errados; convicção firme é o fanatismo de quem pensa como eu, logo está certo. As palavras não são inocentes.

Mas será só isso? Estaremos condenados a esse estranho oxímoro, o relativismo absoluto, e à morte do diálogo? Ou haverá um modo menos cínico de lidar com visões de mundo divergentes? Em outras palavras, será possível recuperar um solo comum em que adversários negociem, firmem pactos em torno de certos – talvez poucos, mas cruciais – objetivos compartilhados?

A palavra fanatismo tem duas acepções no Houaiss*. A primeira é "zelo religioso obsessivo que pode levar a extremos de intolerância". A segunda, derivada daquela por extensão, "facciosismo partidário; adesão cega a um sistema ou doutrina; dedicação excessiva a alguém ou algo; paixão". A palavra passou ao português (em fins do século 18) como versão importada do adjetivo latino derivado de "fanum", lugar sagrado, campo santo. O "fanaticus" tinha conotações positivas a princípio – era o inspirado pela chama divina –, mas não demorou a ganhar acepções como furioso, louco e delirante.*


Estaremos condenados a esse estranho oxímoro, o relativismo absoluto, e à morte do diálogo?
Na frase acima, do segundo parágrafo do texto,

Resposta comentada

Gabarito Alternativa A

Um aposto é um termo que explica, especifica, resume ou identifica outro termo da oração, geralmente um substantivo ou pronome. Ele serve para adicionar uma informação extra ou esclarecer o sentido do termo ao qual se refere.

(A) Correta: Na frase, "o relativismo absoluto" é um aposto que explica "esse estranho oxímoro". Isso significa que "o relativismo absoluto" é o "estranho oxímoro" a que o autor se refere. Portanto, a qualificação "estranho oxímoro" se aplica à expressão "relativismo absoluto", pois ambas as expressões designam a mesma coisa.

(B) Incorreta: A expressão "morte do diálogo" está coordenada com "esse estranho oxímoro" (e seu aposto "o relativismo absoluto") pela conjunção "e". São dois elementos distintos aos quais se refere a condenação, e um não esclarece o sentido do outro.

(C) Incorreta: O sujeito da forma verbal "Estaremos condenados" é "nós" (sujeito oculto ou elíptico). "estranho oxímoro" faz parte do complemento da oração ("a esse estranho oxímoro").

(D) Incorreta: A expressão "relativismo absoluto" é um aposto de "esse estranho oxímoro". O complemento verbal de "Estaremos condenados" é "a esse estranho oxímoro" (um objeto indireto ou complemento nominal, dependendo da análise de "condenado a"). O aposto não é, por si só, o complemento verbal.

(E) Incorreta: A vírgula depois de "relativismo absoluto" é obrigatória. Ela serve para fechar o aposto explicativo ("o relativismo absoluto") e separá-lo do próximo elemento coordenado ("e à morte do diálogo"). Se fosse retirada, a estrutura da frase ficaria ambígua ou incorreta.

Fonte: FCC TRT19 2022 Analista Judiciário - Área Apoio Especializado - Especialidade Tecnologia da Informação (Caderno Tipo 001). Reproduzida para fins de estudo.

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