Questão nº 5
Questão de Língua Portuguesa · FCC TRT19 2022 (nº 5)
Flores
Minha terra, o Recife, é fraca de flores, de maneira que as poucas que nascem são guardadas para os enterros – minha terra é forte de enterros. Ninguém fazia essa coisa romântica de dar uma rosa à namorada ou despertar a mulher bonita (que se viu na véspera, pela primeira vez) com uma caixa de orquídeas e aquele cartão astucioso, dizedor de poucas e boas palavras. Passei anos, já no Rio, associando cheiro de flor aos muitos enterros da minha família.
Meus tios, meu pai, minha irmã de olhos azuis, à medida que Deus chamava, eles iam e o cheiro da sala onde a gente chorava me acompanhou até meses atrás. Cheiro úmido, abafado, de flores de uma cidade que se chama Garanhuns, depois de umas dez horas de trem da Great Western. Devo mesmo confessar uma certa malquerença por tudo que era flor fora do talo – sentia nelas uma espécie de cumplicidade nos enterros que saíram da minha casa.
Mas com o tempo fui me habituando à presença e ao perfume das flores. As tristes lembranças não resistiram aos caminhos de Teresópolis, tampouco às quaresmeiras, que têm sido tantas, neste verão de passeios compridos. Agora mesmo a empregada mudou as rosas do jarro do escritório. São cheirosas. Eu olho para trás e não morreu ninguém.
As normas de concordância verbal encontram-se plenamente atendidas na frase:
- ADevem-se às primeiras lembranças despertadas pelas flores a impressão que delas se guardam para sempre.
- BAs primeiras impressões causadas pelas flores só haveria de ser relativizadas quando do contato do autor com novas paisagens.
- CA visão das flores já sem os talos proporcionavam ao autor sentimentos hostis, que muito lhe custavam superar.
- DÀs paisagens do Rio e aos caminhos de Teresópolis atribuíram-se, no texto, o poder de transfigurar o sentido das flores.
- EDas flores do passado permaneceu no cronista uma impressão forte, a que vieram se somar as sensações vividas no Rio. (alternativa correta)
Resposta comentada
Gabarito Alternativa E
Concordância verbal é a regra gramatical que exige que o verbo se ajuste em número (singular ou plural) e pessoa (eu, tu, ele/ela, nós, vós, eles/elas) ao seu sujeito, garantindo a harmonia da frase.
(A) Incorreta: O sujeito da oração é "a impressão que delas se guardam para sempre", que está no singular. O verbo "dever" deveria estar no singular ("Deve-se") para concordar com "a impressão".
(B) Incorreta: O sujeito "As primeiras impressões causadas pelas flores" está no plural. O verbo "haver" deveria estar no plural ("haveriam de ser relativizadas") para concordar com o sujeito.
(C) Incorreta: O núcleo do sujeito é "visão", que está no singular. O verbo "proporcionar" deveria estar no singular ("proporcionava") para concordar com "visão".
(D) Incorreta: O sujeito da oração é "o poder de transfigurar o sentido das flores", que está no singular. O verbo "atribuir" deveria estar no singular ("atribuiu-se") para concordar com "o poder". A armadilha aqui é a inversão da ordem e a presença do "se", que pode levar a pensar que o verbo concorda com os termos antes dele ("Às paisagens..."), mas o "se" apassivador indica que o sujeito é "o poder", que está posposto.
(E) Correta: Na primeira oração, "permaneceu" (singular) concorda com "uma impressão forte" (sujeito singular). Na segunda oração, "vieram se somar" (plural) concorda com "as sensações vividas no Rio" (sujeito plural). Ambas as concordâncias estão corretas.
Fonte: FCC TRT19 2022 Analista Judiciário - Área Apoio Especializado - Especialidade Tecnologia da Informação (Caderno Tipo 001). Reproduzida para fins de estudo.