Questão nº 7

Questão de Língua Portuguesa · FCC TRT17 2022 (nº 7)

FCC2022Comum Analista - Área JudiciáriaLíngua Portuguesa
Gabarito: Bver comentário ↓

Atenção: Para responder às questões de números 7 a 12, baseie-se no texto abaixo.

Em torno da pena de morte

Numa crônica anterior, comentei um crime bárbaro e evoquei figuras de criminosos repugnantes. Alguns leitores observaram que, de qualquer forma, explicações sociológicas ou psicológicas não valem como desculpas para crimes atrozes. E perguntaram: "Você é contra ou a favor da pena de morte?"

Imagine que um deus, um poder absoluto ou um texto sagrado declarem que quem roubar ou assaltar será enforcado, ou terá a mão cortada. Nesse caso, puxar a corda, afiar a faca ou assistir à execução seria simples, pois a responsabilidade moral do veredito não estaria conosco. Nas sociedades tradicionais em que a punição é decidida por uma autoridade superior a todos, as execuções podem ser públicas: a coletividade festeja o soberano que se encarregou da justiça – que alívio!

A coisa é mais complicada na modernidade, em que os cidadãos comuns (como você e eu) são a fonte de toda a autoridade jurídica e moral. Hoje, no mundo ocidental, se alguém é executado, o braço que mata é, em última instância, o dos cidadãos – o nosso. Mesmo que o condenado seja indiscutivelmente culpado, pairam mil dúvidas. Matar um condenado à morte não é mais uma festa, pois é difícil celebrar o triunfo de uma moral tecida de perplexidades. As execuções acontecem em lugares fechados, diante de poucas testemunhas: há uma espécie de vergonha. Essa discrição é apresentada como um progresso: os povos civilizados não executam seus condenados nas praças. Mas o dito progresso é, de fato, um corolário das incertezas éticas da nossa cultura.

São questões a considerar, creio, antes de responder à pergunta inicial, que me fizeram alguns leitores.


Um posicionamento diante da aceitabilidade ou não da pena de morte, segundo o autor do texto, deve considerar

Este texto de apoio vale também pra questão nº 8, questão nº 9, questão nº 10, questão nº 11, questão nº 12.

Resposta comentada

Gabarito Alternativa B

O conceito-chave do texto é que a aceitabilidade e a responsabilidade moral da pena de morte dependem fundamentalmente de quem detém a autoridade para aplicá-la. O autor contrasta sociedades tradicionais (onde a autoridade é externa e superior) com a modernidade (onde a autoridade emana dos próprios cidadãos).

(A) Incorreta: Embora o texto mencione crimes bárbaros e criminosos culpados, o autor usa isso apenas como ponto de partida para a discussão. Ele argumenta que, mesmo diante de crimes hediondos, a questão central para se posicionar sobre a pena de morte reside na fonte da autoridade e na responsabilidade que dela advém, e não apenas na gravidade do ato ou no caráter do criminoso. A armadilha aqui é que esses elementos são citados no início, mas não são a base da argumentação do autor para a aceitabilidade da pena na modernidade.
(B) Correta: O texto enfatiza que, em sociedades tradicionais, a execução era "simples" porque a responsabilidade moral não era dos indivíduos, mas de uma "autoridade superior a todos" (deus, poder absoluto). Na modernidade, "os cidadãos comuns... são a fonte de toda a autoridade jurídica e moral", e, portanto, "o braço que mata é, em última instância, o dos cidadãos – o nosso". A consideração fundamental, antes de se posicionar, é reconhecer de onde vem essa autoridade e quem, de fato, assume a responsabilidade.
(C) Incorreta: O texto não faz menção a códigos jurídicos transnacionais. A discussão foca na fonte da autoridade jurídica e moral dentro de uma sociedade (tradicional ou moderna), e não em normas internacionais.
(D) Incorreta: As "incertezas éticas" e as "perplexidades" são apresentadas no texto como uma consequência da mudança na fonte da autoridade (dos cidadãos), que torna a execução um ato de "vergonha" e não uma festa. A exigência ética surge porque a responsabilidade recai sobre os cidadãos, o que remete à questão da autoridade como o ponto de partida.
(E) Incorreta: O autor descreve a diferença entre as execuções públicas (festa) e as privadas (vergonha) como um "progresso" que é, na verdade, um "corolário das incertezas éticas da nossa cultura". Isso é uma observação sobre como a pena é praticada, refletindo as mudanças na autoridade e na ética, mas não é a consideração principal que ele propõe para se posicionar sobre a aceitabilidade da pena em si.

Fonte: FCC TRT17 2022 Conhecimentos Comuns (Analista - Área Judiciária) (Caderno Tipo 001). Reproduzida para fins de estudo.

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