Questão nº 6
Questão de Língua Portuguesa · FCC TRT17 2022 (nº 6)
[Vida literária]
Aqueles que fazem versos e já atingiram a idade madura costumam receber cartas de outros que também os fazem, mas estão na casa dos vinte. Parece que esse é um dos prêmios (muito discutíveis) de envelhecer: ser solicitado pelos mais novos a dar opiniões sobre os vagidos do talento. O moço apresenta-se confiante, às vezes entusiástico, sempre respeitoso; o "mestre" responde benévolo, paciente, minucioso, interessado em pormenores biográficos, ocultando sua vaidade sob um verniz de simpatia: "Escreva sempre, meu filho." A isto se chama vida literária.
Sendo a literatura fenômeno socializante por excelência, contudo permanece fenômeno individual quanto à produção. E eu vos pergunto: pode a experiência do mais idoso servir à hesitação do jovem, dissolvê-la em certeza, encaminhá-la a rumo certo? Haverá utilidade nessa conversa de gerações?
É certo que cinco ou dez anos depois a receita do mais velho foi esquecida e o mestre com ela. Sucede também que após esse lapso de tempo o mestre seja, não esquecido, mas negado. Ataca-se o mestre, descobre-se que ele o não é. Noventa (que digo? cem por cento) de nossas admirações da adolescência resolvem-se em indiferença, vergonha ou desprezo. Na força do adulto, vinga-se o homem das debilidades do período de crescimento físico e intelectual, negando o que adorara. Os mestres de poesia não escapam a essa contingência, e ao escreverem uma "carta ao jovem poeta" deveriam meditar bem na escolha das palavras e no prazo de validade do sortilégio.
Mas o pessimismo da verificação não deve secar no homem de cinquenta o terno interesse pelo rapaz de vinte. O admirador juvenil é tão autêntico e honesto quanto o lapidador de vinte e cinco ou trinta. Cada idade tem sua moral e sua sensibilidade.
Eu vos pergunto: pode a experiência do mais velho servir às hesitações do jovem, fazer o jovem superar essas hesitações, convencer o jovem a não mais render culto às hesitações?
Evitam-se as viciosas repetições do período acima substituindo-se os segmentos sublinhados, na ordem dada, por:
- Afazê-lo − convencê-lo − lhes render culto (alternativa correta)
- Bfazer-lhe − convencer-lhe − render culto às mesmas
- Cfazê-lo − lhe convencer − render-lhes culto
- Do fazer − o convencer − a render culto
- Elhe fazer − lhe convencê-lo − lhe rendê-la culto
Resposta comentada
Gabarito Alternativa A
Para evitar repetições em uma frase, usamos pronomes oblíquos átonos (como "o", "a", "lhe", "lhes") que substituem termos já mencionados. A escolha do pronome depende da função sintática do termo que ele substitui: "o/a/os/as" para objeto direto (sem preposição) e "lhe/lhes" para objeto indireto (com preposição).
- (A) Correta: A alternativa substitui corretamente os termos. "fazer o jovem" (objeto direto) torna-se "fazê-lo"; "convencer o jovem" (objeto direto) torna-se "convencê-lo". "render culto às hesitações" (objeto indireto, pois "culto" é "a algo") torna-se "lhes render culto", onde "lhes" retoma "às hesitações".
- (B) Incorreta: "fazer-lhe" e "convencer-lhe" estão incorretos porque os verbos "fazer" e "convencer" são transitivos diretos em relação à pessoa ("o jovem"), exigindo "o/a" e não "lhe". "render culto às mesmas" mantém a repetição.
- (C) Incorreta: "lhe convencer" está incorreto pelo mesmo motivo explicado na alternativa B: "convencer" é transitivo direto em relação à pessoa, exigindo "o" e não "lhe". A armadilha aqui é a confusão entre objeto direto e indireto para o verbo "convencer".
- (D) Incorreta: "o fazer" e "o convencer" são formas pronominais que, embora existam, não são as mais adequadas ou comuns para evitar repetição com infinitivos neste contexto (a ênclise "fazê-lo", "convencê-lo" é preferível). Além disso, "a render culto" está incorreto porque "render culto" pede objeto indireto ("a algo"), e "a" é pronome de objeto direto.
- (E) Incorreta: "lhe fazer" e "lhe convencê-lo" estão incorretos porque "fazer" e "convencer" são transitivos diretos em relação à pessoa. "lhe rendê-la culto" está incorreto porque "render culto" pede objeto indireto ("a algo"), e "la" é pronome de objeto direto.
Fonte: FCC TRT17 2022 Conhecimentos Comuns (Analista - Área Judiciária) (Caderno Tipo 001). Reproduzida para fins de estudo.