Questão nº 18
Questão de Língua Portuguesa · FCC TRT17 2022 (nº 18)
Atenção: Para responder às questões de números 13 a 18, baseie-se no texto abaixo.
Trata-se uma pequena parte do "Prefácio" que o historiador Eric Hobsbawm (1917-2012) escreveu para seu livro Era dos extremos – O breve século XX – 1914 – 1991, publicado em 1994.
Não é possível escrever a história do século XX como a de qualquer outra época, quando mais não fosse porque ninguém pode escrever sobre seu próprio tempo de vida como pode (e deve) fazer em relação a uma época conhecida apenas de fora, em segunda ou terceira mão, por intermédio de fontes da época ou de historiadores posteriores.
Meu tempo de vida coincide com a maior parte da época de que trata este livro, e durante a maior parte desse tempo – do início da adolescência até hoje – tenho tido consciência dos assuntos públicos, ou seja, acumulei opiniões e preconceitos sobre a época mais como contemporâneo que como estudioso. Este é um dos motivos pelos quais, enquanto historiador, evitei trabalhar sobre a era posterior a 1914.
Acho que já é possível ver o Breve Século XX – de 1914 até o fim da era soviética – dentro de uma certa perspectiva histórica.
[...] Claro, na prática é completamente impossível uma só pessoa conhecer a historiografia do presente século, como, por exemplo, o historiador da Antiguidade clássica conhece tudo sobre esse longo período. O máximo que consegui foi mergulhar na literatura das questões mais espinhosas e controvertidas – a história da Guerra Fria ou dos anos 30, por exemplo – o suficiente para convencer-me de que as opiniões expressas neste livro são defensáveis à luz da pesquisa especializada. Claro, posso não ter conseguido. Deve haver inúmeras questões quanto às quais demonstro ignorância e defendo opiniões polêmicas.
Este livro, portanto, assenta-se sobre alicerces bastante irregulares. Se o historiador tem condições de entender alguma coisa deste século é em grande parte porque viu e ouviu. Espero ter transmitido aos leitores algo do que aprendi por tê-lo feito.
As normas de concordância verbal estão plenamente observadas na frase:
Este texto de apoio vale também pra questão nº 13, questão nº 14, questão nº 15, questão nº 16, questão nº 17.
- ANão se podem testemunhar legitimamente sobre épocas em que não se viveu.
- BConsultou-se com bastante afinco fontes históricas para a produção desse livro.
- CSobre graves assuntos públicos não queiram manifestar-se quem apenas emita opiniões.
- DDevem-se aos confessos alicerces irregulares a solidez desse monumento historiográfico.
- EHaverão de mergulhar no tempo espinhoso da História os que com ela se comprometem. (alternativa correta)
Resposta comentada
Gabarito Alternativa E
Concordância verbal é a regra que faz o verbo ajustar sua terminação (número e pessoa) para combinar com o sujeito da oração, garantindo que a frase faça sentido e esteja gramaticalmente correta.
- (A) Incorreta: O verbo "testemunhar" é transitivo direto ou indireto. Com o pronome "se" e um verbo transitivo, o "se" atua como índice de indeterminação do sujeito, e o verbo deve ficar na 3ª pessoa do singular ("Não se pode testemunhar").
- (B) Incorreta: O verbo "consultar" é transitivo direto. Quando acompanhado do pronome "se" e de um objeto direto (aqui, "fontes históricas"), o "se" funciona como pronome apassivador, e o objeto direto se torna o sujeito paciente. Como "fontes históricas" está no plural, o verbo deveria estar no plural ("Consultaram-se").
- (C) Incorreta: O sujeito do verbo "queiram" é "quem apenas emita opiniões". O pronome "quem", quando sujeito, geralmente exige que o verbo fique na 3ª pessoa do singular ("não queira manifestar-se quem").
- (D) Incorreta: O sujeito da oração é "a solidez desse monumento historiográfico" (singular). O verbo "dever-se a" (no sentido de "ser devido a") deve concordar com esse sujeito. Portanto, o correto seria "Deve-se aos confessos alicerces irregulares a solidez...".
- (E) Correta: A frase contém uma locução verbal ("Haverão de mergulhar"). O sujeito dessa locução é "os que com ela se comprometem", que está no plural. O verbo auxiliar "haver", nesse caso, concorda com o sujeito no plural ("Haverão"). A armadilha aqui é confundir o "haver" auxiliar com o "haver" impessoal (no sentido de "existir"), que sempre fica no singular. Como auxiliar, "haver" concorda normalmente.
Fonte: FCC TRT17 2022 Conhecimentos Comuns (Analista - Administrativa e Apoio Especializado) (Caderno Tipo 001). Reproduzida para fins de estudo.