Questão nº 4

Questão de Língua Portuguesa · FCC TRT17 2022 (nº 4)

FCC2022Comum Analista - Administrativa e Apoio EspecializadoLíngua Portuguesa
Gabarito: Aver comentário ↓

Vinte livros na ilha

Aqui e ali, continua a formular-se a velha pergunta: se fosse obrigado a passar seis meses numa ilha deserta, com direito a levar vinte livros, que obras escolheria?

A indagação é capciosa e convida à cisma, quando a resposta exige cálculo e meditação. Entre o sonho da aventura e o exame das preferências que podem ou devem ser confessadas, há espaço, não para vinte livros, mas para toda uma cultura de homem, com as suas inclinações, as suas idiossincrasias e principalmente as suas deficiências. Como o problema da cultura é também um problema de ordem pessoal, que não se resolve senão no sentido da nossa formação humana, fazer tal pergunta a uma pessoa é quase indagar da qualidade de sua inteligência e da profundidade de sua alma. Os seus vinte livros preferidos serão outros tantos retratos ou feições do seu espírito.

No fundo da pergunta, porém, é fácil descobrir logo outra preocupação, além dessa declarada sobre os tais vinte livros. E vem a ser o gosto romântico que todos nós guardamos pela viagem, cada vez menos possível, às terras misteriosas que a civilização não desencantou. No mundo moderno, esse nomadismo elementar do homem encontra satisfação nas inúmeras possibilidades que lhe oferecem trens, aviões e navios em contínuo movimento a serviço do comércio e do tédio capitalista. Resta, portanto, um recurso: viajar só, para uma ilha deserta. Ou naufragar, como Robinson Crusoé, e ir anotar sensações novas de viagem numa ilha distante, onde houvesse coqueiros, macacos, passos na areia...


O verbo indicado entre parênteses deverá flexionar-se numa forma do plural para integrar adequadamente a frase:

Resposta comentada

Gabarito Alternativa A

Concordância verbal é a regra que faz o verbo combinar com o seu sujeito em número (singular ou plural) e pessoa (eu, tu, ele/ela, nós, vós, eles/elas). O verbo sempre concorda com o sujeito da oração.

  • (A) Correta: O sujeito da oração é "Velhas perguntas imaginosas" (plural). O "se" atua como partícula apassivadora, indicando que as perguntas são formuladas. Portanto, o verbo deve ir para o plural: "Velhas perguntas imaginosas a toda hora se formulam".
  • (B) Incorreta: O "se" aqui é índice de indeterminação do sujeito (alguém imagina). Nesses casos, o verbo permanece na 3ª pessoa do singular: "As ilhas em que se imagina viver dias tranquilos...".
  • (C) Incorreta: O sujeito do verbo "poder" é "uma ilha" (singular). Assim, o verbo deve ficar no singular: "Todas as suas aspirações poderia uma ilha proporcionar-lhe...".
  • (D) Incorreta: O sujeito do verbo "intrigar" é "esse tipo de pergunta especulativa" (singular). A expressão "A muitos curiosos" é objeto indireto, não o sujeito. Portanto, o verbo deve ficar no singular: "A muitos curiosos intriga esse tipo de pergunta especulativa...". A armadilha da banca aqui é colocar "A muitos curiosos" no início da frase, levando o aluno a pensar que é o sujeito e, assim, flexionar o verbo no plural.
  • (E) Incorreta: O "se" aqui é índice de indeterminação do sujeito (alguém se curva). Nesses casos, o verbo permanece na 3ª pessoa do singular: "Muitos dos anseios aos quais se curva são na verdade caprichos dele...".

Fonte: FCC TRT17 2022 Conhecimentos Comuns (Analista - Administrativa e Apoio Especializado) (Caderno Tipo 001). Reproduzida para fins de estudo.

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