Questão nº 5
Questão de Língua Portuguesa · FCC TRT17 2022 (nº 5)
Vinte livros na ilha
Aqui e ali, continua a formular-se a velha pergunta: se fosse obrigado a passar seis meses numa ilha deserta, com direito a levar vinte livros, que obras escolheria?
A indagação é capciosa e convida à cisma, quando a resposta exige cálculo e meditação. Entre o sonho da aventura e o exame das preferências que podem ou devem ser confessadas, há espaço, não para vinte livros, mas para toda uma cultura de homem, com as suas inclinações, as suas idiossincrasias e principalmente as suas deficiências. Como o problema da cultura é também um problema de ordem pessoal, que não se resolve senão no sentido da nossa formação humana, fazer tal pergunta a uma pessoa é quase indagar da qualidade de sua inteligência e da profundidade de sua alma. Os seus vinte livros preferidos serão outros tantos retratos ou feições do seu espírito.
No fundo da pergunta, porém, é fácil descobrir logo outra preocupação, além dessa declarada sobre os tais vinte livros. E vem a ser o gosto romântico que todos nós guardamos pela viagem, cada vez menos possível, às terras misteriosas que a civilização não desencantou. No mundo moderno, esse nomadismo elementar do homem encontra satisfação nas inúmeras possibilidades que lhe oferecem trens, aviões e navios em contínuo movimento a serviço do comércio e do tédio capitalista. Resta, portanto, um recurso: viajar só, para uma ilha deserta. Ou naufragar, como Robinson Crusoé, e ir anotar sensações novas de viagem numa ilha distante, onde houvesse coqueiros, macacos, passos na areia...
Todos nós temos um traço romântico que gostamos de preservar.
A frase acima permanecerá gramaticalmente correta caso se substitua o elemento sublinhado por:
- Ade que amamos cultuar.
- Bcujo mantemos vivo.
- Conde nos orgulhamos.
- Dde que não abrimos mão. (alternativa correta)
- Eao qual nos envaidecemos.
Resposta comentada
Gabarito Alternativa D
Pronomes relativos são palavras que conectam uma oração subordinada a uma principal, referindo-se a um termo anterior (antecedente). A preposição que os acompanha é determinada pela regência verbal ou nominal do termo na oração subordinada.
- (A) Incorreta: O verbo "cultuar" é transitivo direto (cultuar algo), não exigindo a preposição "de". A construção correta seria "que amamos cultuar".
- (B) Incorreta: O pronome relativo "cujo" indica posse e deve ser seguido por um substantivo (ex: "cujo brilho"), não por uma forma verbal como "mantemos vivo".
- (C) Incorreta: O pronome relativo "onde" refere-se exclusivamente a lugar. "Um traço romântico" não é um lugar, tornando o uso de "onde" inadequado.
- (D) Correta: A expressão "abrir mão de algo" exige a preposição "de". Assim, "de que não abrimos mão" está gramaticalmente correto, pois o "de" retoma a regência da expressão.
- (E) Incorreta: O verbo "envaidecer-se" rege a preposição "de" (envaidecer-se de algo), e não "a". A forma correta seria "de que nos envaidecemos" ou "do qual nos envaidecemos".
Fonte: FCC TRT17 2022 Conhecimentos Comuns (Analista - Administrativa e Apoio Especializado) (Caderno Tipo 001). Reproduzida para fins de estudo.