Questão nº 40
Questão de História · FCC TRT-15 2018 (nº 40)
Leia os trechos abaixo.
O principal pressuposto do ensaio se encontra na afirmação de que formulações de tipo reducionista-classista não dão conta do sentido do episódio revolucionário de outubro de 1930. Concretamente, tratei de demonstrar, a partir do pressuposto que a queda da Primeira República não correspondeu ao ascenso ao poder nem da burguesia industrial, nem das classes médias, contraditando assim versões correntes na época que o trabalho foi escrito.
Sob esta perspectiva, pode-se definir um processo revolucionário a partir de 1928 no Brasil, não apenas e porque a prática política das classes sociais orientou-se sob vários registros de revolução (...) mas sim devido à possibilidade de existência de uma direção dos acontecimentos cujo suporte, englobando aquilo que as propostas políticas tinham de mais geral, estava substantivado numa categoria de revolução – a revolução democrático-burguesa.
Tendo em vista os dois trechos, as interpretações historiográficas sobre os acontecimentos que levaram à chamada “Revolução de 30” divergem, sobretudo, na análise do papel
- Ados historiadores como protagonistas de uma revolução no âmbito do capitalismo.
- Bdos militares na queda da Primeira República e êxito da Revolução de 30.
- Cdas classes sociais e sua suposta participação em um processo revolucionário. (alternativa correta)
- Ddos extratos sociais médios no processo de desenvolvimento econômico industrial.
- Edas oligarquias em uma revolução democrático-burguesa inequívoca.
Resposta comentada
Gabarito Alternativa C
Diferentes historiadores interpretam os eventos históricos, como a Revolução de 1930, de maneiras distintas, especialmente quanto aos grupos sociais que atuaram e suas motivações.
(A) Incorreta: Os trechos discutem as interpretações dos historiadores sobre a revolução, não os historiadores como participantes dela.
(B) Incorreta: Os trechos não mencionam o papel dos militares na queda da Primeira República ou no sucesso da Revolução de 30.
(C) Correta: O primeiro trecho critica as "formulações de tipo reducionista-classista" e nega que a queda da Primeira República tenha sido o "ascenso ao poder nem da burguesia industrial, nem das classes médias". O segundo trecho, por sua vez, define o processo revolucionário a partir da "prática política das classes sociais" e o enquadra como uma "revolução democrático-burguesa". A divergência central é, portanto, sobre a relevância e o tipo de participação das classes sociais no processo revolucionário.
(D) Incorreta: Embora o primeiro trecho mencione as "classes médias", ele o faz para negar seu ascenso ao poder. O segundo trecho fala de "classes sociais" de forma mais ampla. A armadilha aqui é focar em uma classe específica mencionada em um dos textos, enquanto a divergência principal é sobre a validade e o papel geral da análise de classes no evento, e não apenas sobre os extratos médios ou seu papel no desenvolvimento industrial.
(E) Incorreta: Os trechos não abordam o papel das oligarquias. O debate se concentra na burguesia industrial, classes médias e na própria ideia de uma revolução democrático-burguesa sob a ótica das classes sociais.
Fonte: FCC TRT-15 2018 Analista Judiciário - Área Apoio Especializado - Especialidade História (Caderno Tipo 1). Reproduzida para fins de estudo.