Questão nº 28
Questão de História · FCC TRT-15 2018 (nº 28)
Leia o texto abaixo.
Para trabalhar com qualquer documentação, é preciso saber ao certo do que ela trata, qual é a sua lógica de constituição (...) No caso dos processos criminais, é fundamental ter em conta o que é considerado crime em diferentes sociedades e como se dá, em diferentes contextos e temporalidades, o andamento de uma investigação criminal, no âmbito do poder judiciário (...) é justamente na relação entre produção de vários discursos sobre o crime e o real que está a chave da nossa análise. O que nos interessa é o processo de transformação dos atos em autos, sabendo que ele é sempre a construção de um conjunto de versões sobre um determinado acontecimento.
Conforme o texto, os historiadores devem trabalhar com processos crimes levando em conta o conceito
- Ade documento jurídico em cada época, bem como a origem dos acervos constituídos pelos arquivos judiciários, partindo-se do princípio de que estas instituições são isentas.
- Bde lei em cada sociedade e em cada época, bem como os rituais e procedimentos jurídicos, buscando-se a narrativa objetiva em cada documento.
- Cde crime definido pela sociedade em cada época, bem como os rituais e procedimentos jurídicos, buscando-se problematizar a documentação como registro neutro. (alternativa correta)
- Dautodefinido pelo Estado em cada época, partindo-se do princípio de que o documento não é uma forma de acesso objetivo e direto ao passado.
- Ede investigação criminal em cada época, partindo-se do princípio de que um documento jurídico oficial e autêntico revela a verdade sobre os acontecimentos passados.
Resposta comentada
Gabarito Alternativa C
Quando historiadores analisam processos criminais antigos, eles precisam entender não só o que os documentos registram, mas também como essas informações foram produzidas. Isso significa considerar o que era considerado crime na época e como funcionavam as investigações e os rituais jurídicos. É fundamental lembrar que esses documentos não são a verdade neutra, mas sim construções de diferentes versões sobre os acontecimentos.
(A) Incorreta: A alternativa erra ao afirmar que se parte do princípio de que as instituições judiciárias são "isentas". O texto, ao falar em "construção de um conjunto de versões", sugere justamente o contrário: que há uma produção de discursos e interpretações, não uma isenção total.
(B) Incorreta: Embora a primeira parte esteja alinhada com o texto ("lei em cada sociedade e em cada época, bem como os rituais e procedimentos jurídicos"), a armadilha está em "buscando-se a narrativa objetiva em cada documento". O texto explicitamente nega a objetividade, afirmando que o processo é "sempre a construção de um conjunto de versões sobre um determinado acontecimento".
(C) Correta: Esta alternativa sintetiza perfeitamente o conceito do texto. "Crime definido pela sociedade em cada época" corresponde a "o que é considerado crime em diferentes sociedades". "Rituais e procedimentos jurídicos" corresponde a "como se dá (...) o andamento de uma investigação criminal". E "buscando-se problematizar a documentação como registro neutro" reflete a ideia de que a análise está na "relação entre produção de vários discursos sobre o crime e o real" e que o processo é "a construção de um conjunto de versões", ou seja, não é neutro e deve ser questionado.
(D) Incorreta: A primeira parte ("autodefinido pelo Estado") é mais restritiva do que "o que é considerado crime em diferentes sociedades". A segunda parte, embora correta ("o documento não é uma forma de acesso objetivo e direto ao passado"), não abrange todos os aspectos cruciais mencionados no texto.
(E) Incorreta: Esta alternativa contradiz diretamente o cerne do texto. O texto afirma que o processo é "a construção de um conjunto de versões", o que significa que o documento não revela a verdade de forma direta e objetiva, mas sim uma interpretação dela.
Fonte: FCC TRT-15 2018 Analista Judiciário - Área Apoio Especializado - Especialidade História (Caderno Tipo 1). Reproduzida para fins de estudo.