Questão nº 10
Questão de Língua Portuguesa · FCC TRT-11 2024 (nº 10)
Ideal do filósofo Jean-Jacques Rousseau
A crítica às sociedades civilizadas e a idealização do homem primitivo, manifestadas a todo passo nas obras do filósofo Rousseau (1713-1784), foram vistas por muitos intérpretes como a expressão de um desejo de retorno à animalidade. Mas o que o filósofo sempre pretendeu não foi exaltar a animalidade do selvagem, mas sua mais profunda humanidade em relação ao homem civilizado.
O homem, para Rousseau, não se regenera pela destruição da sociedade e com o retorno à vida no meio das florestas. Embora privado, no estado social, de muitas vantagens da natureza, ele soube adquirir outras: capacidade de desenvolver-se mais rapidamente, ampliação dos horizontes intelectuais, enobrecimento dos sentimentos e elevação total da alma. Se os abusos do estado social civilizado não o colocassem abaixo da vida primitiva, o homem deveria bendizer sem cessar o instante feliz que o arrancou para sempre da animalidade e fez de um ser estúpido e limitado uma criatura inteligente. O propósito visado por Rousseau é combater os abusos e não repudiar os mais altos valores humanos.
Os abusos centralizam-se, para ele, na perda da consciência a que é conduzido o homem pelo culto dos refinamentos, das mentiras convencionais, da ostentação da inteligência e da cultura, nas quais se busca mais a admiração do próximo do que a satisfação da própria consciência. Rousseau, em uma palavra, não pretende queimar bibliotecas ou destruir universidades e academias; reconhece a função útil das ciências e das artes, mas não quer ver os artistas e intelectuais submetidos aos caprichos frívolos das modas passageiras. Pelo contrário, glorifica os esforços laboriosos da conquista intelectual verdadeira, que se realiza na luta contra os obstáculos da violência e na atividade do espírito crítico, livre de pressões.
No contexto do segundo parágrafo, a frase o homem deveria bendizer sem cessar o instante feliz que o arrancou para sempre da animalidade
- Adá como irreversíveis e positivos os passos históricos que venceram a natureza.
- Bdemonstra a convicção que tem o filósofo de que a história humana caminha em linha reta.
- Catesta o fato de que o filósofo Rousseau na verdade jamais admitiu virtudes da vida natural.
- Destá carregada da ironia amarga que consagrou o filósofo nos seus ataques à civilização.
- Eapresenta-se na forma verbal condicional por estar ligada à frase que abre esse período. (alternativa correta)
Resposta comentada
Gabarito Alternativa E
O modo verbal indica a atitude do falante em relação à ação do verbo; o modo condicional (ou futuro do pretérito) expressa uma ação que só aconteceria se uma condição fosse satisfeita.
- (A) Incorreta: A frase é condicional ("Se... deveria bendizer"), não uma afirmação categórica de que os passos são irreversíveis e positivos, mas sim que seriam se não houvesse abusos.
- (B) Incorreta: A frase não expressa uma convicção sobre a linearidade da história, mas uma condição hipotética para a valorização de certos avanços.
- (C) Incorreta: O texto inicial e o propósito de Rousseau ("combater os abusos e não repudiar os mais altos valores humanos") contradizem a ideia de que ele jamais admitiu virtudes da vida natural.
- (D) Incorreta: Embora Rousseau seja crítico, a frase em questão, com sua estrutura condicional, não é intrinsecamente irônica, mas sim uma hipótese sobre o que seria ideal na ausência de abusos.
- (E) Correta: A forma verbal "deveria bendizer" está no futuro do pretérito do indicativo, que é o tempo verbal usado para expressar o modo condicional, e sua ocorrência é diretamente dependente da condição estabelecida pela oração subordinada que a precede: "Se os abusos... não o colocassem...".
Fonte: FCC TRT-11 2024 Conhecimentos Comuns (TRT11 Grupo A) (Caderno Tipo 004). Reproduzida para fins de estudo.