Questão nº 6
Questão de Língua Portuguesa · FCC TRT-11 2024 (nº 6)
Temos que acreditar
Será que podemos entender o mundo sem algum tipo de crença? Esta é uma pergunta central na dicotomia entre ciência e fé.
De fato, o modo como um indivíduo escolhe responder a ela determina, em grande parte, como se relaciona com o mundo e a vida em geral. Contrastando as explicações míticas e científicas da realidade, podemos dizer que muitos religiosos buscam explicar o desconhecido com o desconhecível, enquanto a ciência busca explicar o desconhecido com o conhecível.
Muito da tensão entre ciência e fé vem da suposição de que existem duas realidades mutuamente incompatíveis, uma dentro deste mundo (e, portanto, "conhecível" através da aplicação diligente do método científico) e outro fora dele (e, portanto, "desconhecível", relacionada tradicionalmente à crença religiosa).
Mitos religiosos permitem que os que neles creem transcendam sua "situação histórica", a perplexidade que sentimos ao compreendermos que somos criaturas delimitadas pelo tempo, cada um com uma história que tem um começo e um fim. Em um nível mais pragmático, explicações míticas de fenômenos naturais são tentativas pré-científicas de dar sentido àquilo que existe além do controle humano. A motivação por trás dessas explicações não é tão diferente daquela da ciência, já que ambas tentam de alguma forma revelar mecanismos por trás dos fenômenos naturais: afinal, tanto deuses quanto forças físicas fazem coisas acontecer, mesmo que de formas radicalmente distintas.
Tanto o cientista quanto o crente acreditam em causas não compreendidas, ou seja, em coisas que ocorrem por razões desconhecidas, mesmo que a natureza da causa seja completamente diferente para cada um.
Transpondo-se para a voz passiva a frase Será que podemos entender o mundo sem algum tipo de crença?, a forma verbal resultante deverá ser
- Apodia entender-se
- Bpode entender-nos
- Cpodemos ser entendidos
- Dpode ser entendido (alternativa correta)
- Eo entenderemos
Resposta comentada
Gabarito Alternativa D
A voz passiva ocorre quando o sujeito da frase sofre a ação do verbo, em vez de praticá-la. Sua estrutura comum é o verbo ser (ou estar) mais o particípio do verbo principal.
- (A) Incorreta: O tempo verbal ("podia" - pretérito imperfeito) está incorreto em relação ao original ("podemos" - presente). Além disso, "entender-se" é voz passiva sintética, mas a mudança de tempo a invalida.
- (B) Incorreta: "pode entender-nos" mantém a voz ativa e muda o objeto da ação (de "o mundo" para "nós").
- (C) Incorreta: A armadilha aqui é usar "podemos" e "ser entendidos". "Podemos" mantém o sujeito "nós" (ou um sujeito plural), e "ser entendidos" significa que nós seríamos o objeto da ação, e não o mundo. A frase original pergunta se nós podemos entender o mundo, e não se nós podemos ser entendidos.
- (D) Correta: A frase original é "Será que nós podemos entender o mundo?". Para a voz passiva, "o mundo" (objeto direto) torna-se o novo sujeito. A locução verbal "podemos entender" se transforma em "pode ser entendido", concordando com o novo sujeito singular "o mundo".
- (E) Incorreta: "o entenderemos" está no futuro do presente e na voz ativa, não passiva.
Fonte: FCC TRT-11 2024 Conhecimentos Comuns (TRT11 Grupo A) (Caderno Tipo 004). Reproduzida para fins de estudo.