Questão nº 4

Questão de Língua Portuguesa · FCC TRT-11 2024 (nº 4)

FCC2024Comum TRT11 Grupo ALíngua Portuguesa
Gabarito: Ever comentário ↓

Temos que acreditar

Será que podemos entender o mundo sem algum tipo de crença? Esta é uma pergunta central na dicotomia entre ciência e fé.

De fato, o modo como um indivíduo escolhe responder a ela determina, em grande parte, como se relaciona com o mundo e a vida em geral. Contrastando as explicações míticas e científicas da realidade, podemos dizer que muitos religiosos buscam explicar o desconhecido com o desconhecível, enquanto a ciência busca explicar o desconhecido com o conhecível.

Muito da tensão entre ciência e fé vem da suposição de que existem duas realidades mutuamente incompatíveis, uma dentro deste mundo (e, portanto, "conhecível" através da aplicação diligente do método científico) e outro fora dele (e, portanto, "desconhecível", relacionada tradicionalmente à crença religiosa).

Mitos religiosos permitem que os que neles creem transcendam sua "situação histórica", a perplexidade que sentimos ao compreendermos que somos criaturas delimitadas pelo tempo, cada um com uma história que tem um começo e um fim. Em um nível mais pragmático, explicações míticas de fenômenos naturais são tentativas pré-científicas de dar sentido àquilo que existe além do controle humano. A motivação por trás dessas explicações não é tão diferente daquela da ciência, já que ambas tentam de alguma forma revelar mecanismos por trás dos fenômenos naturais: afinal, tanto deuses quanto forças físicas fazem coisas acontecer, mesmo que de formas radicalmente distintas.

Tanto o cientista quanto o crente acreditam em causas não compreendidas, ou seja, em coisas que ocorrem por razões desconhecidas, mesmo que a natureza da causa seja completamente diferente para cada um.


No contexto do terceiro parágrafo, ao se falar de explicações míticas e científicas, considera-se que

Resposta comentada

Gabarito Alternativa E

O texto explora a relação entre ciência e fé, destacando que, embora busquem explicar o mundo, seus métodos e abordagens são fundamentalmente diferentes. O ponto-chave do terceiro parágrafo é que, apesar de uma motivação comum para entender fenômenos, as formas de explicação (míticas e científicas) são radicalmente distintas.

  • (A) Incorreta: Esta é a armadilha. O texto afirma que "tanto deuses quanto forças físicas fazem coisas acontecer", mas imediatamente complementa com "mesmo que de formas radicalmente distintas". Ou seja, o resultado (coisas acontecendo) pode ser o foco de ambas, mas os procedimentos ou formas de explicar ou causar isso são diferentes, não idênticos.
  • (B) Incorreta: O parágrafo não sugere que as causas dos fenômenos naturais são elucidadas pela fé para ambas as abordagens. A fé é tradicionalmente associada às explicações míticas, enquanto a ciência busca causas conhecíveis através de métodos empíricos.
  • (C) Incorreta: O texto aponta para uma semelhança de motivação ou propósito (revelar mecanismos), mas não para uma convergência de resultados ou métodos no final. Pelo contrário, enfatiza a distinção.
  • (D) Incorreta: O parágrafo não suprime a dicotomia; ele a explora, mostrando que, apesar de uma motivação comum, as "formas" (métodos) de explicação permanecem "radicalmente distintas". A dicotomia é mantida, não suprimida.
  • (E) Correta: O parágrafo afirma que "A motivação por trás dessas explicações não é tão diferente daquela da ciência, já que ambas tentam de alguma forma revelar mecanismos por trás dos fenômenos naturais" (semelhança de propósitos). No entanto, conclui que isso ocorre "mesmo que de formas radicalmente distintas" (distinção drástica entre os métodos). Esta alternativa resume perfeitamente o ponto do parágrafo.

Fonte: FCC TRT-11 2024 Conhecimentos Comuns (TRT11 Grupo A) (Caderno Tipo 004). Reproduzida para fins de estudo.

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