Questão nº 37

Questão de Direito Administrativo · FCC TRF4 2025 (nº 37)

FCC2025Técnico Judiciário - Área AdministrativaDireito Administrativo
Gabarito: Bver comentário ↓

Um TRF celebrou um contrato de prestação de serviços com a empresa VigiLegal Ltda., para prestação de serviços contínuos de vigilância e controle de portaria, com a previsão de cinco postos de trabalho a serem ocupados por equipe de profissionais dedicados continuamente à tarefa. Após 8 meses da assinatura do ajuste, o preposto da empresa encaminha ao gestor do contrato um pleito de reequilíbrio econômico-financeiro do ajuste, em razão do início da vigência de nova convenção coletiva relativa à categoria envolvida na contratação. Em vista de tal situação e tendo verificado que as disposições da convenção vinculam legalmente a Administração, o gestor deverá

Resposta comentada

Gabarito Alternativa B

O reequilíbrio econômico-financeiro busca manter o contrato justo para ambas as partes, compensando eventos que alteram o custo inicial. Em contratos de serviços contínuos com mão de obra dedicada, mudanças nos custos trabalhistas (como novas convenções coletivas) são tratadas por um mecanismo específico chamado repactuação.

  • (A) Incorreta: A revisão contratual, baseada na teoria da imprevisão, ocorre por eventos extraordinários e imprevisíveis. Uma nova convenção coletiva, em contratos de serviços contínuos com mão de obra, é um evento previsível e específico, tratado por repactuação, não revisão. Além disso, a repactuação geralmente dispensa termo aditivo.
  • (B) Correta: A repactuação é o mecanismo adequado para reequilibrar contratos de serviços contínuos com dedicação exclusiva de mão de obra em razão de alterações nos custos salariais e encargos sociais decorrentes de convenções ou acordos coletivos de trabalho. Conforme a legislação e a jurisprudência, a repactuação, por ser um ajuste previsto e inerente a este tipo de contrato, dispensa a celebração de termo aditivo, bastando a formalização por apostilamento.
  • (C) Incorreta: O interstício de 12 meses se aplica ao reajuste (compensação inflacionária) ou ao intervalo entre repactuações. A primeira repactuação pode ocorrer a qualquer tempo após a ocorrência do fato gerador (como uma nova convenção coletiva), desde que o contrato ou a proposta inicial tenha sido há pelo menos 12 meses, ou desde a última repactuação. O fato de ter passado 8 meses da assinatura não impede a primeira repactuação se a convenção coletiva é nova.
  • (D) Incorreta: O "fato do príncipe" é uma espécie de revisão contratual que decorre de uma atuação estatal geral, imprevisível e que onera o contrato. Uma convenção coletiva, embora tenha força de lei, é um evento específico e previsível no contexto de contratos de mão de obra, sendo tratada pela repactuação, não como "fato do príncipe". Além disso, a repactuação geralmente não exige termo aditivo.
  • (E) Incorreta: O reajustamento em sentido estrito visa compensar a inflação geral por meio de índices predefinidos no contrato, ocorrendo anualmente. Ele não se destina a cobrir aumentos específicos de custos de mão de obra decorrentes de convenções coletivas, que são objeto de repactuação. Não se pode "antecipar" o reajustamento para cobrir uma repactuação.

Fonte: FCC TRF4 2025 Técnico Judiciário - Área Administrativa (Caderno Tipo 001). Reproduzida para fins de estudo.

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