Questão nº 10

Questão de Língua Portuguesa · FCC TJ-CE 2022 (nº 10)

FCC2022Analista Judiciário - Área JudiciáriaLíngua Portuguesa
Gabarito: Aver comentário ↓

Atenção: Para responder às questões de números 7 a 12, baseie-se no texto abaixo.

Brincadeiras de criança

Entre as crianças daquele tempo, na hora de formar grupos pra brincar, alguém separava as sílabas enquanto ia rodando e apontando cada um com o dedo: “Lá em ci-ma do pi-a-no tem um co-po de ve-ne-no, quem be-beu mor-reu, o cul-pa-do não fui eu”. Piano? Qual? Veneno? Por quê? Morreu? Quem? Tratava-se de uma “parlenda”*, como aprendi bem mais tarde, mas podem chamar de surrealismo, enigma, senha mágica, charada...

Mesmo as nossas cartilhas de alfabetização tinham seus mistérios: uma das lições iniciais era a frase “A macaca é má”, com a ilustração de uma macaquinha espantada e a exploração repetida das sílabas “ma” e “ca”. Ponto. Nenhuma história? Por que era má a macaquinha? Depois aprendi que “má macaca” é um parequema**. A gente vai ficando sabido e ignorando o essencial. O que, afinal, teria aprontado a má macaquinha da cartilha?

A grande poeta Orides Fontela usou como epígrafe de um de seus livros de alta poesia (Helianto, 1973) esta popular quadrinha de cantiga de roda:

“Menina, minha menina,
Faz favor de entrar na roda
Cante um verso bem bonito
Diga adeus e vá-se embora”

Ou seja: brincando, brincando, eis a nossa vida resumida, em meio aos densos poemas de Orides, a nossa vida, em que cada um de nós se apresenta aos outros, busca dizer com capricho a que veio no tempinho que teve e...adeus. Podem soar fundo as palavras mais inocentes: “ir-se embora”, depois da viva roda... E ir-se embora sem saber mais nada daquele copo de veneno em cima do piano ou da macaquinha da cartilha, eternamente condenada a ser má. Ir-se embora já ouvindo bem ao longe as vozes das crianças cantando na roda.

* parlenda: palavreado utilizado em brincadeiras infantis ou jogos de memorização.
** parequema: repetição de sons ou da sílaba final de uma palavra, no início da palavra seguinte.


As flexões dos verbos e as relações entre seus tempos e modos estão adequadamente observadas na frase:

Este texto de apoio vale também pra questão nº 7, questão nº 8, questão nº 9, questão nº 11, questão nº 12.

Resposta comentada

Gabarito Alternativa A

A correlação verbal é a harmonia entre os tempos e modos dos verbos em uma frase, garantindo que a sequência de ações e ideias seja lógica e gramaticalmente correta, especialmente em orações que expressam condição, consequência, tempo ou concessão.

  • (A) Correta: A frase apresenta uma correlação verbal adequada. "Caso não se mantivessem" (Pretérito Imperfeito do Subjuntivo) expressa uma condição hipotética no passado. A consequência para essa condição é expressa por "muitas das brincadeiras infantis teriam deixado de existir e de reviver" (Futuro do Pretérito Composto do Indicativo), que indica uma ação que teria ocorrido no passado se a condição hipotética tivesse sido cumprida. Essa combinação é gramaticalmente correta.
  • (B) Incorreta: A correlação entre "Ainda que não nos detêssemos" (Pretérito Imperfeito do Subjuntivo) e "elas nos remetessem" (também Pretérito Imperfeito do Subjuntivo) está inadequada. Se a primeira parte é uma concessão hipotética, a oração principal deveria expressar uma consequência no Indicativo (ex: "elas nos remetiam" ou "elas nos remeteriam") e não outro Subjuntivo. A armadilha aqui é a repetição do mesmo tempo e modo, que parece simétrico, mas não expressa a relação de concessão e consequência de forma correta.
  • (C) Incorreta: A correlação entre "talvez supôssemos" (Pretérito Imperfeito do Subjuntivo, indicando uma suposição hipotética ou desejo no passado/presente) e "o que terá ocorrido" (Futuro do Presente Composto do Indicativo, que expressa uma probabilidade sobre o passado ou uma ação futura concluída) é inadequada. Para "supôssemos", seria mais adequado "o que teria ocorrido" (Futuro do Pretérito Composto) ou "o que ocorreu" (Pretérito Perfeito).
  • (D) Incorreta: A frase apresenta dois erros. Primeiro, a forma correta do Futuro do Subjuntivo de "dispor" é "dispuser", não "dispor". Segundo, a correlação entre "Se alguém vier... e se dispuser" (Futuro do Subjuntivo) e "que nos presenteasse" (Pretérito Imperfeito do Subjuntivo) está incorreta. Para uma condição no Futuro do Subjuntivo, a consequência em tom de pedido ou desejo deveria ser no Presente do Subjuntivo (ex: "que nos presenteie").
  • (E) Incorreta: A correlação entre "No caso de houver interesse" (Futuro do Subjuntivo) e "bastaria que alguém se apresente e já início" (Presente do Subjuntivo) está inadequada. Se a oração principal é "bastaria" (Futuro do Pretérito do Indicativo), a oração subordinada introduzida por "que" deveria estar no Pretérito Imperfeito do Subjuntivo (ex: "bastaria que alguém se apresentasse e já desse início").

Fonte: FCC TJ-CE 2022 Analista Judiciário - Área Judiciária (Caderno Tipo 001). Reproduzida para fins de estudo.

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