Questão nº 4
Questão de Língua Portuguesa · FCC TJ-CE 2022 (nº 4)
Atenção: Para responder às questões de números 1 a 6, baseie-se no texto abaixo.
O exercício da crônica
Escrever prosa é uma arte ingrata. Eu digo prosa fiada, como faz um cronista; não a prosa de um romancista, na qual este é levado pelas personagens e situações que criou.
Alguns cronistas escrevem de maneira simples e direta, sem caprichar demais no estilo, mas enfeitando-o aqui e ali desses pequenos achados que são sua marca registrada. Outros, de modo lento e elaborado, que o leitor deixa para mais tarde como um convite ao sono. Outros ainda, e constituem a maioria, “tacam o peito” na máquina de escrever e cumprem o dever cotidiano da crônica como uma espécie de desespero, numa atitude de “ou vai ou racha”.
Há os eufóricos, cuja prosa procura sempre infundir vida e alegria em seus leitores; e há os tristes, que escrevem com o fito exclusivo de desanimar a gente não só quanto à vida, como quanto à condição humana e às razões de viver. Há também os modestos, que ocultam cuidadosamente a própria personalidade atrás do que dizem; em contrapartida, os vaidosos castigam no pronome da primeira pessoa e colocam-se como a personagem principal de todas as situações.
Como se diz que é preciso um pouco de tudo para fazer um mundo, todos esses “marginais da imprensa”, por assim dizer, têm o seu papel a cumprir. Uns afagam vaidades, outros as espicaçam; este é lido por puro deleite, aquele por puro vício. Mas uma coisa é certa: o público não dispensa a crônica, e o cronista afirma-se cada vez mais como o cafezinho quente logo pela manhã.
Coloque-se porém, ó leitor, ingrato leitor, no papel do cronista. Dias há em que, positivamente, a crônica “não baixa”. O cronista levanta-se, senta-se, levanta de novo, chega à janela, põe um disco na vitrola, dá um telefonema, relê crônicas passadas em busca de inspiração – e nada. Aí então, se ele é cronista de verdade, ele se pega pela gola e diz: “Vamos, escreve, ó mascarado! Escreve uma crônica sobre essa cadeira que está à sua frente, e que ela seja bem feita e divirta seus leitores!” E o negócio sai de qualquer maneira.
Considerando o contexto, traduz-se adequadamente o sentido de um segmento do texto em:
Este texto de apoio vale também pra questão nº 1, questão nº 2, questão nº 3, questão nº 5, questão nº 6.
- Apequenos achados que são sua marca registrada (2º parágrafo) = detalhes criativos que fazem seu estilo. (alternativa correta)
- Binfundir vida e alegria em seus leitores (3º parágrafo) = dirimir a vitalidade e a euforia de seu público.
- Ccom o fito exclusivo de desanimar (3º parágrafo) = no intento fortuito de desacreditar.
- Dos vaidosos castigam no pronome da primeira pessoa (3º parágrafo) = os orgulhosos se penitenciam pelo descuido pronominal.
- EUns afagam vaidades, outros as espicaçam (4º parágrafo) = uns propiciam futilidades, outros se ressentem de sua falta.
Resposta comentada
Gabarito Alternativa A
A equivalência de sentido, ou paráfrase, busca expressar a mesma ideia de um trecho original usando palavras diferentes, mas mantendo o significado e o contexto. É como traduzir uma frase para outra forma sem alterar sua mensagem essencial.
(A) Correta: "Pequenos achados" refere-se a ideias ou detalhes originais e criativos. "Marca registrada" significa algo característico e distintivo de um estilo. Assim, "detalhes criativos que fazem seu estilo" traduz adequadamente o sentido de originalidade e personalização.
(B) Incorreta: "Infundir vida e alegria" significa instilar ou transmitir sentimentos positivos. "Dirimir a vitalidade e a euforia" significa suprimir ou eliminar esses sentimentos, sendo o oposto do sentido original.
(C) Incorreta: "Com o fito exclusivo de desanimar" indica um propósito único e deliberado. "No intento fortuito de desacreditar" sugere uma intenção acidental ou por acaso ("fortuito"), o que contradiz "exclusivo". A armadilha é que "fito" e "intento" são sinônimos, mas "exclusivo" e "fortuito" são antônimos, alterando completamente o sentido.
(D) Incorreta: "Castigam no pronome da primeira pessoa" significa que os vaidosos abusam ou usam excessivamente o pronome "eu", colocando-se como centro. "Se penitenciam pelo descuido pronominal" significa que se arrependem ou se punem por um erro gramatical, o que é um sentido completamente diferente e literalista de "castigar".
(E) Incorreta: "Afagam vaidades" significa agradar ou lisonjear a vaidade de alguém. "Propiciam futilidades" significa proporcionar coisas sem importância, o que não é equivalente. "Espicaçam" significa provocar ou estimular, enquanto "se ressentem de sua falta" significa sentir mágoa pela ausência de algo, sem relação com o sentido original.
Fonte: FCC TJ-CE 2022 Analista Judiciário - Área Judiciária (Caderno Tipo 001). Reproduzida para fins de estudo.