Questão nº 5

Questão de Língua Portuguesa · FCC TJ-CE 2022 (nº 5)

FCC2022Analista Judiciário - Área JudiciáriaLíngua Portuguesa
Gabarito: Bver comentário ↓

Atenção: Para responder às questões de números 1 a 6, baseie-se no texto abaixo.

O exercício da crônica

Escrever prosa é uma arte ingrata. Eu digo prosa fiada, como faz um cronista; não a prosa de um romancista, na qual este é levado pelas personagens e situações que criou.

Alguns cronistas escrevem de maneira simples e direta, sem caprichar demais no estilo, mas enfeitando-o aqui e ali desses pequenos achados que são sua marca registrada. Outros, de modo lento e elaborado, que o leitor deixa para mais tarde como um convite ao sono. Outros ainda, e constituem a maioria, “tacam o peito” na máquina de escrever e cumprem o dever cotidiano da crônica como uma espécie de desespero, numa atitude de “ou vai ou racha”.

Há os eufóricos, cuja prosa procura sempre infundir vida e alegria em seus leitores; e há os tristes, que escrevem com o fito exclusivo de desanimar a gente não só quanto à vida, como quanto à condição humana e às razões de viver. Há também os modestos, que ocultam cuidadosamente a própria personalidade atrás do que dizem; em contrapartida, os vaidosos castigam no pronome da primeira pessoa e colocam-se como a personagem principal de todas as situações.

Como se diz que é preciso um pouco de tudo para fazer um mundo, todos esses “marginais da imprensa”, por assim dizer, têm o seu papel a cumprir. Uns afagam vaidades, outros as espicaçam; este é lido por puro deleite, aquele por puro vício. Mas uma coisa é certa: o público não dispensa a crônica, e o cronista afirma-se cada vez mais como o cafezinho quente logo pela manhã.

Coloque-se porém, ó leitor, ingrato leitor, no papel do cronista. Dias há em que, positivamente, a crônica “não baixa”. O cronista levanta-se, senta-se, levanta de novo, chega à janela, põe um disco na vitrola, dá um telefonema, relê crônicas passadas em busca de inspiração – e nada. Aí então, se ele é cronista de verdade, ele se pega pela gola e diz: “Vamos, escreve, ó mascarado! Escreve uma crônica sobre essa cadeira que está à sua frente, e que ela seja bem feita e divirta seus leitores!” E o negócio sai de qualquer maneira.


As normas de concordância verbal estão plenamente observadas na frase:

Este texto de apoio vale também pra questão nº 1, questão nº 2, questão nº 3, questão nº 4, questão nº 6.

Resposta comentada

Gabarito Alternativa B

Concordância verbal é a regra que exige que o verbo se ajuste em número (singular ou plural) e pessoa (1ª, 2ª ou 3ª) ao seu sujeito.

  • (A) Incorreta: O sujeito de "cabem" é a oração "se deixarem levar", que funciona como sujeito oracional e, portanto, exige o verbo no singular ("Não cabe aos cronistas...").
  • (B) Correta: Todos os verbos concordam corretamente com seus sujeitos: "se depara" com "um cronista" (singular) e "espera" com "seu público cativo" (singular).
  • (C) Incorreta: O sujeito de "deve-se" é "As várias modalidades de crônica", que está no plural; logo, o verbo deveria estar no plural ("devem-se"). A armadilha é o "se" apassivador, que pode levar a crer que o verbo deve ficar no singular, mas o sujeito paciente é plural.
  • (D) Incorreta: O sujeito de "cumprem" é a oração "prestigiar a oralidade e a simplicidade da linguagem", que, como sujeito oracional, exige o verbo no singular ("cumpre prestigiar...").
  • (E) Incorreta: Há duas incorreções: "ocorre" deveria ser "ocorrem" para concordar com "quaisquer temas" (plural), e "podem surgir-lhes" deveria ser "pode surgir-lhes" porque o sujeito é a oração "ficar falando da falta de assunto" (sujeito oracional exige verbo no singular).

Fonte: FCC TJ-CE 2022 Analista Judiciário - Área Judiciária (Caderno Tipo 001). Reproduzida para fins de estudo.

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