Questão nº 13
Questão de Língua Portuguesa · FCC SPPREV 2019 (nº 13)
[Desconfiar para criar]
Atenção, escritores: desconfiar da observação direta. Um romancista de lápis em punho no meio da vida – esse acaba fazendo apenas reportagens.
Melhor esperar que a poeira baixe, que as águas resserenem, deixar tudo à deriva da memória. Porque a memória escolhe, recria.
Quanto ao poeta, este nunca se lembra, propriamente; inventa.
E por isso é que ele fica muito mais perto da verdadeira realidade.
Ao afirmar que um escritor deve desconfiar da observação direta, o cronista e poeta Mário Quintana mostra-se convicto de que
- Ao discurso da ficção e a linguagem da reportagem podem influenciar-se reciprocamente, para ganho de ambas.
- Ba linguagem da imaginação e a da invenção de um escritor não se confundem com a de uma simples reportagem. (alternativa correta)
- Cum romancista não pode nem deve confiar em seus olhos ou em suas experiências mais pessoais.
- Dum romancista pode conseguir expressar, melhor do que um poeta, sua análise da realidade que fotografa.
- Ea desconfiança quanto ao poder expressivo das palavras estimula um escritor a produzir com qualidade crescente.
Resposta comentada
Gabarito Alternativa B
O conceito-chave aqui é que a verdadeira criação literária, seja ficção ou poesia, vai além da simples reprodução do que é observado. Ela exige um processo de transformação, imaginação e invenção por parte do escritor.
(A) Incorreta: O texto estabelece um contraste entre a criação literária e a reportagem, alertando o escritor para não cair na mera descrição factual. Não sugere uma influência recíproca benéfica, mas sim uma distinção fundamental.
(B) Correta: Mário Quintana argumenta que a observação direta, sem o filtro da memória que "escolhe, recria" ou da invenção do poeta, resulta apenas em "reportagens". Isso demonstra sua convicção de que a essência da escrita criativa (imaginação, invenção) é distinta e superior à mera transcrição factual.
(C) Incorreta: Esta alternativa é a armadilha. "Desconfiar da observação direta" não significa ignorar ou não confiar nas experiências pessoais. Significa que essas experiências são a matéria-prima, mas precisam ser processadas, filtradas e recriadas pela memória e imaginação. O romancista usa suas experiências, mas as transforma, não as transcreve literalmente. A palavra "não pode nem deve confiar" é muito absoluta e distorce a ideia de "desconfiar" como um estímulo à reelaboração.
(D) Incorreta: O texto sugere o oposto: o poeta, ao inventar, "fica muito mais perto da verdadeira realidade", indicando que a invenção pode ser um caminho mais profundo do que a "análise da realidade que fotografa" (que se assemelha à reportagem).
(E) Incorreta: A desconfiança mencionada é em relação à "observação direta" como método único, não ao "poder expressivo das palavras". Pelo contrário, o texto valoriza o poder das palavras quando usadas para recriar e inventar.
Fonte: FCC SPPREV 2019 Analista em Gestão Previdenciária (Caderno Tipo 001). Reproduzida para fins de estudo.