Questão nº 4
Questão de Língua Portuguesa · FCC SPPREV 2019 (nº 4)
Mais vale prevenir do que remediar
Os dicionários trazem lições fundamentais, quanto ao justo sentido das palavras: costumam revelar o seu sentido de origem e o de seu emprego atual. Os provérbios também são esclarecedores: numa forma sintética, formulam lições que nascem do que as criaturas aprendem de suas próprias experiências de vida.
Veja-se, por exemplo, o que afirma o provérbio "Mais vale prevenir do que remediar". Prevenir é "tomar a dianteira", "antecipar", tal como dispõe o dicionário. Uma palavra que serve de prima-irmã desse verbete é precaver*: daí que previdentes e precavidos seriam aqueles que preferem tomar medidas para não serem surpreendidos por fatos indesejáveis e incontornáveis. Nesse campo conceitual, a ideia comum é a valorização de iniciativas que se devem assumir para administrar o nosso destino até onde for possível. Sabemos todos, no entanto, que nem tudo se previne, e nem tudo tem remédio: vem daí outro provérbio popular, "o que não tem remédio, remediado está". Como se vê, admite que nem tudo tem solução, ao passo que o provérbio que dá o título deste texto insiste em valorizar toda ação pela qual se busca, justamente, evitar a etapa da falta de remédio: prevenir.*
Ainda caminhando pelos verbetes do dicionário e pelas falas dos provérbios, damos com a palavra providência*, que tem o sentido comum de "decisão", "encaminhamento". Ocorre que se vier com a inicial maiúscula − Providência − estará fazendo subentender a ação divina, a expressão maior de um poder que nos rege a todos. Há quem confie mais na Providência divina do que em qualquer outra instância humana; mas é bom lembrar que há também o provérbio "Deus ajuda a quem cedo madruga", no qual se sugere que a vontade divina conta com a disposição do nosso trabalho, do nosso empenho, da nossa iniciativa, para se dispor a nos ajudar. Não parece haver contradição alguma entre ter fé, confiar na Providência, e ao mesmo tempo acautelar-se, sendo previdente.*
A ordem providencial e a ordem previdenciária podem conviver pacificamente, num sistema de reforço mútuo, por que não? A diferença entre ambas está em que a segunda conta com a qualidade da nossa gestão, de vez que seremos responsáveis não apenas pelo espírito de cautela que nos anima, mas sobretudo pelas medidas a tomar para que se administre no presente o que deve ser feito com vistas à garantia de um bom futuro.
Considerando-se o contexto, traduz-se adequadamente o sentido de um segmento do texto em:
- Aquanto ao justo sentido das palavras (1º parágrafo) = em vista da justiça dos vocábulos.
- Bnuma forma sintética, formulam lições (1º parágrafo) = trazem ensinamentos em feitio conciso. (alternativa correta)
- Ctal como dispõe o dicionário (2º parágrafo) = à semelhança do que investiga o nosso vocabulário.
- Dfazendo subentender a ação divina (3º parágrafo) = deixando de contar com a Providência.
- Enum sistema de reforço mútuo (3º parágrafo) = num complexo de forças exclusivas.
Resposta comentada
Gabarito Alternativa B
A interpretação de texto frequentemente exige a capacidade de reconhecer sinônimos e paráfrases, ou seja, expressar a mesma ideia com palavras diferentes, mantendo o sentido original.
(A) Incorreta: "Justo sentido" refere-se ao significado correto ou preciso das palavras. "Justiça dos vocábulos" sugere uma qualidade moral ou legal das palavras, alterando o sentido.
(B) Correta: "Sintética" significa concisa, resumida. "Formulam lições" significa criam ou expressam ensinamentos. "Feitio conciso" é uma forma concisa, e "trazem ensinamentos" é equivalente a formular lições. O sentido é perfeitamente mantido.
(C) Incorreta: "Dispõe" no contexto significa "apresenta", "define" ou "estabelece". "Investiga o nosso vocabulário" sugere uma ação de pesquisa, que não corresponde ao papel do dicionário de dispor (apresentar) os significados.
(D) Incorreta: "Fazendo subentender" significa "dando a entender implicitamente", "sugerindo". "Deixando de contar com" significa "não considerando" ou "não confiando em", o que é o oposto de subentender a ação divina. Esta é uma armadilha que explora a confusão entre "subentender" (implicar) e "desconsiderar".
(E) Incorreta: "Reforço mútuo" indica que as partes se fortalecem reciprocamente. "Forças exclusivas" sugere que as forças são separadas e não compartilham ou se influenciam, contradizendo a ideia de "mútuo".
Fonte: FCC SPPREV 2019 Analista em Gestão Previdenciária (Caderno Tipo 001). Reproduzida para fins de estudo.