Questão nº 2

Questão de Língua Portuguesa · FCC SPPREV 2019 (nº 2)

FCC2019Analista em Gestão PrevidenciáriaLíngua Portuguesa
Gabarito: Cver comentário ↓

Mais vale prevenir do que remediar

Os dicionários trazem lições fundamentais, quanto ao justo sentido das palavras: costumam revelar o seu sentido de origem e o de seu emprego atual. Os provérbios também são esclarecedores: numa forma sintética, formulam lições que nascem do que as criaturas aprendem de suas próprias experiências de vida.

Veja-se, por exemplo, o que afirma o provérbio "Mais vale prevenir do que remediar". Prevenir é "tomar a dianteira", "antecipar", tal como dispõe o dicionário. Uma palavra que serve de prima-irmã desse verbete é precaver*: daí que previdentes e precavidos seriam aqueles que preferem tomar medidas para não serem surpreendidos por fatos indesejáveis e incontornáveis. Nesse campo conceitual, a ideia comum é a valorização de iniciativas que se devem assumir para administrar o nosso destino até onde for possível. Sabemos todos, no entanto, que nem tudo se previne, e nem tudo tem remédio: vem daí outro provérbio popular, "o que não tem remédio, remediado está". Como se vê, admite que nem tudo tem solução, ao passo que o provérbio que dá o título deste texto insiste em valorizar toda ação pela qual se busca, justamente, evitar a etapa da falta de remédio: prevenir.*

Ainda caminhando pelos verbetes do dicionário e pelas falas dos provérbios, damos com a palavra providência*, que tem o sentido comum de "decisão", "encaminhamento". Ocorre que se vier com a inicial maiúscula − Providência − estará fazendo subentender a ação divina, a expressão maior de um poder que nos rege a todos. Há quem confie mais na Providência divina do que em qualquer outra instância humana; mas é bom lembrar que há também o provérbio "Deus ajuda a quem cedo madruga", no qual se sugere que a vontade divina conta com a disposição do nosso trabalho, do nosso empenho, da nossa iniciativa, para se dispor a nos ajudar. Não parece haver contradição alguma entre ter fé, confiar na Providência, e ao mesmo tempo acautelar-se, sendo previdente.*

A ordem providencial e a ordem previdenciária podem conviver pacificamente, num sistema de reforço mútuo, por que não? A diferença entre ambas está em que a segunda conta com a qualidade da nossa gestão, de vez que seremos responsáveis não apenas pelo espírito de cautela que nos anima, mas sobretudo pelas medidas a tomar para que se administre no presente o que deve ser feito com vistas à garantia de um bom futuro.


No segundo parágrafo do texto,

Resposta comentada

Gabarito Alternativa C

O conceito-chave aqui é a relativização de uma ideia por outra, ou seja, como um provérbio pode limitar ou qualificar o alcance de outro, mostrando que nem sempre uma regra geral se aplica a todas as situações.

(A) Incorreta: O texto estabelece um contraste entre os dois provérbios, mostrando que um ("o que não tem remédio, remediado está") relativiza o outro ("Mais vale prevenir do que remediar"), indicando que nem tudo pode ser prevenido ou remediado, portanto, não possuem a mesma significação.
(B) Incorreta: O parágrafo aborda a "prevenção" de forma positiva, valorizando a antecipação e a cautela, sem qualquer menção a um sentido negativo ou a "atitude preconceituosa".
(C) Correta: O texto cita integralmente o provérbio "o que não tem remédio, remediado está" e o utiliza para mostrar que a ideia de prevenção (do provérbio-título) tem seus limites, pois "nem tudo se previne, e nem tudo tem remédio", ou seja, ele relativiza a aplicabilidade universal do primeiro provérbio.
(D) Incorreta: O autor não insiste na ausência de contradição, mas sim explora como provérbios podem apresentar perspectivas diferentes ou complementares, como um pode limitar o alcance do outro, o que sugere uma relação mais complexa do que uma simples não-contradição.
(E) Incorreta: O conceito de "prevenir" é definido como "antecipar" e "tomar medidas para não serem surpreendidos", o que se alinha com "antecipar o que é possível", mas não há menção a "postergar o que é inevitável"; pelo contrário, o segundo provérbio sugere aceitar o que não tem remédio.

Fonte: FCC SPPREV 2019 Analista em Gestão Previdenciária (Caderno Tipo 001). Reproduzida para fins de estudo.

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