Questão nº 7

Questão de Língua Portuguesa · FCC SPPREV 2019 (nº 7)

FCC2019Analista em Gestão PrevidenciáriaLíngua Portuguesa
Gabarito: Cver comentário ↓

Mais vale prevenir do que remediar

Os dicionários trazem lições fundamentais, quanto ao justo sentido das palavras: costumam revelar o seu sentido de origem e o de seu emprego atual. Os provérbios também são esclarecedores: numa forma sintética, formulam lições que nascem do que as criaturas aprendem de suas próprias experiências de vida.

Veja-se, por exemplo, o que afirma o provérbio "Mais vale prevenir do que remediar". Prevenir é "tomar a dianteira", "antecipar", tal como dispõe o dicionário. Uma palavra que serve de prima-irmã desse verbete é precaver*: daí que previdentes e precavidos seriam aqueles que preferem tomar medidas para não serem surpreendidos por fatos indesejáveis e incontornáveis. Nesse campo conceitual, a ideia comum é a valorização de iniciativas que se devem assumir para administrar o nosso destino até onde for possível. Sabemos todos, no entanto, que nem tudo se previne, e nem tudo tem remédio: vem daí outro provérbio popular, "o que não tem remédio, remediado está". Como se vê, admite que nem tudo tem solução, ao passo que o provérbio que dá o título deste texto insiste em valorizar toda ação pela qual se busca, justamente, evitar a etapa da falta de remédio: prevenir.*

Ainda caminhando pelos verbetes do dicionário e pelas falas dos provérbios, damos com a palavra providência*, que tem o sentido comum de "decisão", "encaminhamento". Ocorre que se vier com a inicial maiúscula − Providência − estará fazendo subentender a ação divina, a expressão maior de um poder que nos rege a todos. Há quem confie mais na Providência divina do que em qualquer outra instância humana; mas é bom lembrar que há também o provérbio "Deus ajuda a quem cedo madruga", no qual se sugere que a vontade divina conta com a disposição do nosso trabalho, do nosso empenho, da nossa iniciativa, para se dispor a nos ajudar. Não parece haver contradição alguma entre ter fé, confiar na Providência, e ao mesmo tempo acautelar-se, sendo previdente.*

A ordem providencial e a ordem previdenciária podem conviver pacificamente, num sistema de reforço mútuo, por que não? A diferença entre ambas está em que a segunda conta com a qualidade da nossa gestão, de vez que seremos responsáveis não apenas pelo espírito de cautela que nos anima, mas sobretudo pelas medidas a tomar para que se administre no presente o que deve ser feito com vistas à garantia de um bom futuro.


A supressão da vírgula altera o sentido da frase:

Resposta comentada

Gabarito Alternativa C

A vírgula (,) é um sinal de pontuação que indica uma pausa breve e organiza as ideias na frase; sua presença ou ausência pode mudar o sentido, especialmente ao separar elementos que podem ser interpretados de forma explicativa ou restritiva.

(A) Incorreta: A vírgula separa uma oração subordinada adverbial posposta. Sua supressão ("Aprende-se muito ao caminhar...") não altera o sentido fundamental de que o aprendizado ocorre ao caminhar, apenas o fluxo da leitura.
(B) Incorreta: A vírgula separa uma oração subordinada adverbial temporal deslocada. Sua supressão ("A cada vez que encontra uma palavra desconhecida ele consulta...") afeta a clareza e a norma culta, mas não o sentido de que ele consulta o dicionário sempre que encontra uma palavra desconhecida.
(C) Correta: A vírgula é crucial aqui. Com a vírgula, "cuja edição se faz com critério" é uma oração subordinada adjetiva explicativa, ou seja, ela explica uma característica de todos os dicionários (todos são editados com critério, e por isso confiáveis). Sem a vírgula ("Pode-se e deve-se confiar nos dicionários cuja edição se faz com critério"), a oração se torna restritiva, indicando que se deve confiar apenas nos dicionários que têm sua edição feita com critério, implicando que existem outros dicionários (sem critério) nos quais não se deve confiar. A supressão da vírgula muda radicalmente o universo de dicionários aos quais a confiança se aplica, alterando o sentido da frase.
(D) Incorreta: A vírgula separa um adjunto adverbial de causa deslocado. Sua supressão ("Por pura preguiça ele se esquiva...") não altera o sentido de que a preguiça é a causa de ele se esquivar, apenas a fluidez da frase.
(E) Incorreta: A vírgula separa uma oração subordinada adverbial concessiva deslocada. Sua supressão ("Ainda quando confiantes no sentido de uma palavra devemos conferi-lo...") afeta a gramática e o ritmo, mas o sentido de que se deve conferir mesmo quando confiante permanece o mesmo.

Fonte: FCC SPPREV 2019 Analista em Gestão Previdenciária (Caderno Tipo 001). Reproduzida para fins de estudo.

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