Questão nº 6
Questão de Língua Portuguesa · FCC SPPREV 2019 (nº 6)
Mais vale prevenir do que remediar
Os dicionários trazem lições fundamentais, quanto ao justo sentido das palavras: costumam revelar o seu sentido de origem e o de seu emprego atual. Os provérbios também são esclarecedores: numa forma sintética, formulam lições que nascem do que as criaturas aprendem de suas próprias experiências de vida.
Veja-se, por exemplo, o que afirma o provérbio "Mais vale prevenir do que remediar". Prevenir é "tomar a dianteira", "antecipar", tal como dispõe o dicionário. Uma palavra que serve de prima-irmã desse verbete é precaver*: daí que previdentes e precavidos seriam aqueles que preferem tomar medidas para não serem surpreendidos por fatos indesejáveis e incontornáveis. Nesse campo conceitual, a ideia comum é a valorização de iniciativas que se devem assumir para administrar o nosso destino até onde for possível. Sabemos todos, no entanto, que nem tudo se previne, e nem tudo tem remédio: vem daí outro provérbio popular, "o que não tem remédio, remediado está". Como se vê, admite que nem tudo tem solução, ao passo que o provérbio que dá o título deste texto insiste em valorizar toda ação pela qual se busca, justamente, evitar a etapa da falta de remédio: prevenir.*
Ainda caminhando pelos verbetes do dicionário e pelas falas dos provérbios, damos com a palavra providência*, que tem o sentido comum de "decisão", "encaminhamento". Ocorre que se vier com a inicial maiúscula − Providência − estará fazendo subentender a ação divina, a expressão maior de um poder que nos rege a todos. Há quem confie mais na Providência divina do que em qualquer outra instância humana; mas é bom lembrar que há também o provérbio "Deus ajuda a quem cedo madruga", no qual se sugere que a vontade divina conta com a disposição do nosso trabalho, do nosso empenho, da nossa iniciativa, para se dispor a nos ajudar. Não parece haver contradição alguma entre ter fé, confiar na Providência, e ao mesmo tempo acautelar-se, sendo previdente.*
A ordem providencial e a ordem previdenciária podem conviver pacificamente, num sistema de reforço mútuo, por que não? A diferença entre ambas está em que a segunda conta com a qualidade da nossa gestão, de vez que seremos responsáveis não apenas pelo espírito de cautela que nos anima, mas sobretudo pelas medidas a tomar para que se administre no presente o que deve ser feito com vistas à garantia de um bom futuro.
Há forma verbal na voz passiva em regular concordância com o sujeito em:
- ACaminha-se pelos verbetes de um dicionário aprendendo-se a significação que contém as palavras.
- BGarante-se o convívio harmonioso entre a previdência e a Providência quando se respeita o que é próprio de cada uma. (alternativa correta)
- CNão cabem aos descrentes recriminar os que depositam mais confiança na Providência do que na previdência.
- DA inicial maiúscula em certas palavras, tal como ocorre com Providência, são capazes de lhes dar um sentido mais específico.
- EReservam-se aos dicionários a decisão final quanto ao sentido de cada uma das palavras que neles se apresentam.
Resposta comentada
Gabarito Alternativa B
A voz passiva ocorre quando o sujeito da frase recebe a ação do verbo. Em português, uma forma comum de voz passiva é com o verbo na 3ª pessoa acompanhado da partícula "se" (partícula apassivadora). Nesse caso, o verbo deve concordar em número (singular ou plural) com o sujeito que sofre a ação.
- (A) Incorreta: Em "Caminha-se", o verbo "caminhar" é intransitivo, e o "se" funciona como índice de indeterminação do sujeito (IIS), não como partícula apassivadora. Quando o "se" é IIS, o verbo fica sempre na 3ª pessoa do singular. A frase não apresenta voz passiva com concordância regular.
- (B) Correta: Em "Garante-se o convívio harmonioso", "o convívio harmonioso" é o sujeito que recebe a ação de "garantir". Como "convívio" é singular, o verbo "garante" está corretamente no singular. Da mesma forma, em "se respeita o que é próprio de cada uma", "o que é próprio" é o sujeito singular que recebe a ação de "respeitar", e o verbo "respeita" está corretamente no singular. Ambas são construções de voz passiva sintética com concordância verbal regular.
- (C) Incorreta: O sujeito da oração "Não cabem aos descrentes recriminar os que depositam..." é a oração "recriminar os que depositam...", que funciona como um sujeito oracional e é tratada como singular. Portanto, o correto seria "Não cabe aos descrentes...", não "cabem". Não há voz passiva.
- (D) Incorreta: O sujeito é "A inicial maiúscula" (singular). O verbo "ser" deveria concordar com o sujeito no singular, sendo "é capaz", e não "são capazes". Não há voz passiva.
- (E) Incorreta: Em "Reservam-se aos dicionários a decisão final", o sujeito que recebe a ação de "reservar" é "a decisão final" (singular). O verbo deveria estar no singular ("Reserva-se"), concordando com "a decisão final". A armadilha aqui é a presença de "aos dicionários" (plural), que é um complemento (objeto indireto ou adjunto adnominal) e não o sujeito, levando à concordância incorreta do verbo no plural.
Fonte: FCC SPPREV 2019 Analista em Gestão Previdenciária (Caderno Tipo 001). Reproduzida para fins de estudo.