Questão nº 14
Questão de Língua Portuguesa · FCC SPPREV 2019 (nº 14)
[Desconfiar para criar]
Atenção, escritores: desconfiar da observação direta. Um romancista de lápis em punho no meio da vida – esse acaba fazendo apenas reportagens.
Melhor esperar que a poeira baixe, que as águas resserenem, deixar tudo à deriva da memória. Porque a memória escolhe, recria.
Quanto ao poeta, este nunca se lembra, propriamente; inventa.
E por isso é que ele fica muito mais perto da verdadeira realidade.
Está clara e correta quanto à redação, e coerente com o sentido do texto, a seguinte frase:
- ADeixar que a poeira baixe é uma forma que cabem aos escritores para respirar antes de criar.
- BAo utilizar a expressão de lápis em punho, o autor ironisa a triste condição de um escritor sem armas.
- CEsperar que as águas resserenem equivale a dizer que a memória, de cujo poder é absoluta, perturba a invenção.
- DO autor deixa ver que seu conceito de verdadeira realidade inclui a invenção que é própria do poeta. (alternativa correta)
- EA memória dos poetas, ainda que usual, supõe-se que seja mais frágil do que a capacidade de inventar, da qual recorrem.
Resposta comentada
Gabarito Alternativa D
A coerência textual é a relação lógica e semântica entre as ideias de um texto, garantindo que ele faça sentido como um todo e que a interpretação reflita a intenção do autor. Para isso, é crucial analisar as palavras e frases no contexto em que são usadas.
- (A) Incorreta: A frase "respirar antes de criar" não abrange o sentido completo do texto, que enfatiza o papel da memória que "escolhe, recria" após o tempo de espera, e não apenas um descanso.
- (B) Incorreta: A expressão "de lápis em punho" refere-se à escrita direta e imediata, que o autor critica por resultar em "reportagens", e não ironiza a ausência de "armas" do escritor. A armadilha aqui é a interpretação equivocada da ironia e do significado da expressão, que não implica uma condição de desamparo.
- (C) Incorreta: O texto indica que esperar "que as águas resserenem" é um processo que permite à memória agir criativamente ("escolhe, recria"), e não que ela "perturba a invenção".
- (D) Correta: O texto afirma explicitamente que o poeta "inventa" e "por isso é que ele fica muito mais perto da verdadeira realidade", conectando diretamente a invenção à concepção de "verdadeira realidade" do autor.
- (E) Incorreta: O texto diz que o poeta "nunca se lembra, propriamente; inventa", o que sugere que a invenção é seu principal modo de criação, não que sua memória seja "frágil" ou "usual".
Fonte: FCC SPPREV 2019 Analista em Gestão Previdenciária (Caderno Tipo 001). Reproduzida para fins de estudo.