Questão nº 9

Questão de Língua Portuguesa · FCC SEDU-ES 2022 (nº 9)

FCC2022Professor B - Língua PortuguesaLíngua Portuguesa
Gabarito: Cver comentário ↓

Atenção: Para responder às questões de números 6 a 12, baseie-se no texto abaixo.

O colégio de Tia Gracinha

Tia Gracinha, cujo nome ficou no grupo escolar Graça Guardia, de Cachoeiro do Itapemirim, era irmã de minha avó paterna, mas tão mais moça que a tratava de mãe. Tenho do colégio de Tia Gracinha uma recordação em que não sei o que é lembrança mesmo e lembrança de conversa que ouvi menino.

Lembro-me, sobretudo, do pomar e do jardim do colégio, e imagino ver moças de roupas antigas, cuidando das plantas. O colégio era um internato de moças. Elas não aprendiam datilografia nem taquigrafia, pois o tempo era de pouca máquina e nenhuma pressa. Moças não trabalhavam fora. As famílias de Cachoeiro e de muitas outras cidades do Espírito Santo mandavam suas adolescentes para ali; muitas eram filhas de fazendeiros. Recebiam instrução geral, uma espécie de curso primário reforçado, o mais eram prendas domésticas. Trabalhos caseiros e graças especiais: bordados, jardinagem, francês, piano...

A carreira de toda moça era casar, e no colégio de Tia Gracinha elas aprendiam boas maneiras. Levavam depois, para as casas de seus pais e seus maridos, uma porção de noções úteis de higiene e de trabalhos domésticos, e muitas finuras que lhes davam certa superioridade sobre os homens de seu tempo. Pequenas etiquetas que elas iam impondo suavemente, e transmitiam às filhas.

Tudo isto será risível aos olhos das moças de hoje; mas a verdade é que o colégio de Tia Gracinha dava às moças de então a educação de que elas precisavam para viver sua vida. Não apenas o essencial, mas muito mais do que, sendo supérfluo e superior ao ambiente, era por isto mesmo, de certo modo, funcional – pois a função do colégio era uma certa elevação espiritual do meio a que servia. Tia Gracinha era o que bem se podia chamar uma educadora.

(Abril, 1979)

(Adaptado de: BRAGA, Rubem. Recado de primavera. Rio de Janeiro: Record, 1984, p. 52-53)


Observados os padrões da norma culta da linguagem, está plenamente correta a redação da seguinte frase:

Este texto de apoio vale também pra questão nº 6, questão nº 7, questão nº 8, questão nº 10, questão nº 11, questão nº 12.

Resposta comentada

Gabarito Alternativa C

A regência de um verbo ou nome determina a preposição (ou a ausência dela) que o acompanha para introduzir seu complemento. Quando usamos um pronome relativo (como que, cujo, onde), ele retoma um termo anterior e, ao mesmo tempo, exerce uma função sintática na oração que introduz. Se o verbo ou nome na oração relativa exigir uma preposição, essa preposição deve vir antes do pronome relativo.

  • (A) Incorreta: O sujeito da oração é "a escolha dos caminhos profissionais adequados" (singular), mas o verbo "caber" está no plural ("cabiam"). O correto seria "Não cabia".
  • (B) Incorreta: Há múltiplos erros. "Aprendia-se os ofícios" deveria ser "Aprendiam-se os ofícios" (concordância do verbo com o sujeito paciente "os ofícios"). Além disso, o pronome relativo cujos nunca pode funcionar como sujeito; o correto seria "que deviam preparar". Por fim, "atividades que se lhes reservava" deveria ser "atividades que se lhes reservavam", concordando com "atividades".
  • (C) Correta: A frase está plenamente de acordo com a norma culta. O verbo "familiarizar-se" exige a preposição "com" ("familiarizar-se com algo"), que está corretamente posicionada antes do pronome relativo "que". A concordância verbal ("As noções... e os trabalhos domésticos... rendiam-lhes") e a regência do verbo "render" ("render algo a alguém", expresso pelo pronome "lhes") também estão corretas.
  • (D) Incorreta: O sujeito da oração principal é "O fato de serem filhas de fazendeiros" (singular), mas o verbo "impor" está no plural ("impunham"). O correto seria "impunha". Além disso, o verbo "impor" rege objeto indireto com preposição "a" (impor algo a alguém), então "aquelas moças" deveria ter crase: "àquelas moças". Na oração relativa, "prender-se" exige a preposição "a" ("prender-se a algo"), não "de". O correto seria "os valores a que se prendiam".
  • (E) Incorreta: A locução verbal "deviam de cumprir" é coloquial; na norma culta, para expressar obrigação, usa-se apenas "deviam cumprir". A maior armadilha está no uso de "de cujas famílias representavam". O verbo "representar" é transitivo direto e não exige a preposição "de". O pronome cujo já indica posse e não deve ser precedido de preposição a menos que a regência do verbo ou nome da oração relativa a exija. O correto seria "as expectativas conservadoras que suas famílias representavam" ou, se a intenção fosse usar cujo, "cujas famílias representavam" (se "cujas famílias" fosse o objeto direto, o que não se encaixa bem no sentido aqui).

Fonte: FCC SEDU-ES 2022 Professor B - Língua Portuguesa (Caderno Tipo 001). Reproduzida para fins de estudo.

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