Questão nº 57

Questão de Direito Tributário · FCC PGE-MT 2016 (nº 57)

FCC2016Analista – PGE - Bacharel em DireitoDireito Tributário
Gabarito: Cver comentário ↓

Um determinado Estado brasileiro, famoso pelas lindas paisagens que ornamentam muitas de suas cidades, estava passando por severa crise econômica. Decidiu, em razão disso, investir fortemente no turismo destas cidades, com a finalidade de atrair pessoas com alto poder aquisitivo e que estivessem predispostas a gastar neste “Estado paradisíaco”. Paralelamente, com o intuito de evitar a afluência e o tráfego de turistas provenientes de unidades federadas com baixo ou nenhum poder aquisitivo, o governo deste “Estado paradisíaco” criou uma exação que denominou de “Taxa Interestadual de Compensação Financeira”, e que tinha o intuito específico de impedir, ou, pelo menos, de reduzir o tráfego de pessoas provenientes de outros Estados sem poder aquisitivo naquelas cidades turísticas do Estado.

De acordo com a Constituição Federal, essa taxa

Resposta comentada

Gabarito Alternativa C

A Constituição Federal proíbe expressamente que os Estados criem tributos que restrinjam a livre circulação de pessoas ou bens entre as unidades da federação. Essa é a vedação de limitação ao tráfego, um princípio fundamental para a unidade do país.

  • (A) Incorreta: A validade de um tributo não se resume ao cumprimento do princípio da anterioridade; antes de tudo, ele precisa ser constitucional em sua essência e propósito.
  • (B) Incorreta: Os princípios da anterioridade e da noventena (anterioridade nonagesimal) regulam o momento em que um tributo válido pode ser cobrado, mas não tornam constitucional um tributo que, em sua finalidade, viola um preceito fundamental.
  • (C) Correta: A "Taxa Interestadual de Compensação Financeira" criada com o intuito de impedir ou reduzir o tráfego de pessoas de outros Estados viola diretamente o Art. 150, V, da Constituição Federal, que veda a instituição de tributos que limitem o tráfego de pessoas ou bens por meio de tributos interestaduais ou intermunicipais. Portanto, ela não poderia ser cobrada, pois é inconstitucional em sua própria natureza e propósito.
  • (D) Incorreta: Assim como nas alternativas A e B, os princípios da anterioridade e da irretroatividade são condições para a cobrança de um tributo válido, mas não salvam um tributo que é fundamentalmente inconstitucional em sua finalidade. A armadilha da banca aqui é desviar a atenção para princípios de legalidade e temporalidade, quando o problema é de constitucionalidade material.
  • (E) Incorreta: A questão não é de competência para instituir a taxa, mas sim da proibição constitucional de qualquer ente federativo criar um tributo com a finalidade de limitar o tráfego de pessoas ou bens, independentemente de qual Estado o institua ou de onde venham os turistas.

Fonte: FCC PGE-MT 2016 Analista – PGE - Bacharel em Direito (Caderno Tipo 1). Reproduzida para fins de estudo.

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