Questão nº 8

Questão de Língua Portuguesa · FCC PGE-MT 2016 (nº 8)

FCC2016Analista – PGE - Bacharel em DireitoLíngua Portuguesa
Gabarito: Cver comentário ↓

Por esta, as casas de aposta britânicas não esperavam: o cantor Bob Dylan ganhou o Prêmio Nobel de Literatura de 2016. Seria um sinal de que as já questionáveis fronteiras entre a cultura pop e a chamada alta literatura estão se desfazendo? Deixemos essa questão a quem interessa: os círculos acadêmicos obcecados por categorizar os gêneros do discurso.

Ao mundo hispano-americano, no entanto, cabe uma lembrança oportuna: a importância dos trovadores para nossa formação cultural e sua atualidade nem sempre reconhecida.

Sim, houve um tempo em que poesia e música eram indissociáveis. A literatura na Península Ibérica nasceu com o canto dos trovadores da Idade Média, menestréis ambulantes ou abrigados nas cortes da Galícia e do norte de Portugal. Eles construíram um vigoroso retrato do amor medieval e deram lugar à voz feminina nas suas composições. Foram eles também que denunciaram as mazelas daquela sociedade em suas cantigas de escárnio e maldizer.

Soterrados por séculos de esquecimento, os trovadores sofreram críticas pedantes, que os consideravam repetitivos, vulgares... populares demais, enfim. Houve uma crueldade especial por parte dos eruditos até sua eventual redescoberta pela professora Carolina Michaelis de Vasconcelos, já no início do século XX. Vale notar que a lacuna de percepção que os menosprezou por 600 anos tem uma estreita relação com o esnobismo acadêmico que recusa às letras de canção o status de nobreza da poesia.

Para os brasileiros, nada disso faz sentido. Aí esteve Vinícius de Moraes, que não nos deixa mentir. Quando perguntaram a Manuel Bandeira qual o mais belo verso já escrito no Brasil, o poeta pernambucano respondeu: “Tu pisavas nos astros, distraída”, decassílabo de Orestes Barbosa na letra de “Chão de estrelas”.

Mesmo assim, entre nós, as manchetes denunciam a surpresa diante do compositor nobelizado. Como se não fosse ele sério o suficiente. Como se ele fosse produto de outro mundo... popular demais, enfim.


A frase redigida em conformidade com a norma-padrão da língua é:

Resposta comentada

Gabarito Alternativa C

O conceito-chave aqui é a regência verbal e nominal, que trata da forma como verbos e nomes se conectam a seus complementos (seja com ou sem preposição), e a concordância, que garante a harmonia gramatical entre as palavras (por exemplo, sujeito e verbo, ou nome e adjetivo).

  • A) Incorreta: Há um erro de concordância verbal. O sujeito da forma verbal "dão-se" é "a devida importância" (singular). Portanto, o verbo deveria estar no singular: "dá-se".
  • B) Incorreta: Embora a construção "dispor-se a" seja gramaticalmente correta para indicar disposição ou prontidão, e "categorias para" seja aceitável, a alternativa é considerada incorreta. O motivo pode residir em uma sutil inadequação semântica ou estilística do verbo "dispor-se" em relação ao contexto da frase original ("obcecados por categorizar"), que expressa uma ideia mais forte de obsessão. Contudo, não há um erro de regência ou concordância evidente que a torne incorreta pela norma-padrão estrita.
  • (C) Correta: A frase está em plena conformidade com a norma-padrão. O verbo pronominal "conservaram-se" concorda corretamente com o sujeito "as cantigas" (plural). O adjetivo "ignoradas" concorda em gênero e número com "cantigas". A regência de "ignoradas de" (no sentido de "desconhecidas por" ou "não percebidas por") é gramaticalmente aceitável, embora "ignoradas por" seja uma construção mais comum.
  • D) Incorreta: Há um erro de concordância verbal. O sujeito da forma verbal "considerava-se" é "poesia e música" (sujeito composto, plural). O verbo deveria estar no plural: "consideravam-se". Além disso, a crase em "à certa época" é opcional e geralmente evitada com pronomes indefinidos como "certa".
  • E) Incorreta: A frase apresenta uma construção gramaticalmente correta em termos de regência verbal ("ater-se a") e nominal ("denúncia de"), e concordância. O uso da crase em "à denúncia" também está correto. No entanto, se a alternativa é considerada incorreta pelo gabarito, o motivo pode residir em uma sutil inadequação semântica do verbo "ater-se" (que significa "limitar-se a", "restringir-se a") em relação à ideia de "denunciaram" (que implica uma ação de expor). Esta é a armadilha da banca: a frase parece perfeita gramaticalmente, mas pode haver uma nuance de sentido que a torna menos precisa ou adequada ao contexto, segundo o examinador, ou uma preferência por uma expressão mais direta.

Fonte: FCC PGE-MT 2016 Analista – PGE - Bacharel em Direito (Caderno Tipo 1). Reproduzida para fins de estudo.

Continue estudando

Estudar é izi

Pratique milhares de questões como esta, de graça, com explicação e gamificação no Quizinho.

Estudar de graça no Quizinho