Questão nº 35
Questão de Direito Processual Penal · FCC MPMT 2019 (nº 35)
À luz do que disciplina o Código de Processo Penal sobre o incidente de falsidade,
- Aa decisão irrecorrível não fará coisa julgada em prejuízo de ulterior processo penal ou civil. (alternativa correta)
- Ba decisão irrecorrível só fará coisa julgada nos autos da ação penal movida pelo Ministério Público para apurar a autoria da falsidade.
- Ctendo em vista o princípio da imparcialidade, não é possível que o juiz, de ofício, proceda à verificação da falsidade.
- Dnão há previsão legal sobre a possibilidade de diligências no curso do incidente.
- Eé desnecessária a exigência de poderes especiais, na arguição de falsidade, feita por procurador constituído.
Resposta comentada
Gabarito Alternativa A
O incidente de falsidade é um procedimento acessório no processo penal para verificar se um documento, que é uma prova, é verdadeiro ou falso.
(A) Correta: A decisão que resolve o incidente de falsidade tem efeitos limitados ao processo em que foi suscitada. Ela não impede que a questão da falsidade seja discutida novamente em outro processo (penal para apurar o crime de falsidade, ou civil para indenização, por exemplo), conforme o Art. 148 do Código de Processo Penal.
(B) Incorreta: A decisão do incidente de falsidade não faz coisa julgada (ou seja, não se torna definitiva e imutável) para processos futuros, nem mesmo para uma ação penal específica que venha a apurar o crime de falsidade. O incidente apenas decide sobre a validade do documento como prova naquele processo.
(C) Incorreta: O juiz pode, sim, iniciar o incidente de falsidade por conta própria ("de ofício"), sem precisar que as partes peçam, conforme o Art. 145, caput, do CPP. Isso não fere o princípio da imparcialidade, pois é parte de sua função garantir a veracidade das provas. A armadilha da banca aqui é tentar confundir a iniciativa do juiz na condução do processo com uma suposta quebra de imparcialidade.
(D) Incorreta: O Art. 146 do CPP prevê expressamente que o juiz "ordenará as diligências necessárias à sua verificação", ou seja, pode e deve realizar investigações e perícias para apurar a falsidade.
(E) Incorreta: Se a arguição de falsidade for feita por um advogado (procurador), a lei exige que ele tenha poderes especiais para isso, conforme o Art. 145, parágrafo único, do CPP. Não é uma medida que possa ser tomada com poderes gerais.
Fonte: FCC MPMT 2019 Promotor de Justiça Substituto (Caderno Tipo 002). Reproduzida para fins de estudo.