Questão nº 4

Questão de Língua Portuguesa · FCC MPMT 2019 (nº 4)

FCC2019Promotor de Justiça SubstitutoLíngua Portuguesa
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[Nossa quota de felicidade]

Os últimos 500 anos testemunharam uma série de revoluções de tirar o fôlego. A Terra foi unida em uma única esfera histórica e ecológica. A economia cresceu exponencialmente, e hoje a humanidade desfruta do tipo de riqueza que só existia nos contos de fadas. A ciência e a Revolução Industrial deram à humanidade poderes sobre-humanos e energia praticamente sem limites. A ordem social foi totalmente transformada, bem como a política, a vida cotidiana e a psicologia humana.

Mas somos mais felizes? A riqueza que a humanidade acumulou nos últimos cinco séculos se traduz em contentamento? A descoberta de fontes de energia inesgotáveis abre diante de nós depósitos inesgotáveis de felicidade? Voltando ainda mais tempo, os cerca de 70 milênios desde a Revolução Cognitiva tornaram o mundo um lugar melhor para se viver? O falecido astronauta Neil Armstrong, cuja pegada continua intacta na Lua sem vento, foi mais feliz que os caçadores-coletores anônimos que há 30 mil anos deixaram suas marcas de mão em uma parede na caverna? Se não, qual o sentido de desenvolver agricultura, cidades, escrita, moeda, impérios, ciência e indústria?

Os historiadores raramente fazem essas perguntas. Mas essas são as perguntas mais importantes que podemos fazer à história. A maioria dos programas ideológicos e políticos atuais se baseia em ideias um tanto frágeis no que concerne à fonte real de felicidade humana. Em uma visão comum, as capacidades humanas aumentaram ao longo da história. Considerando que os humanos geralmente usam suas capacidades para aliviar sofrimento e satisfazer aspirações, decorre que devemos ser mais felizes que nossos ancestrais medievais e que estes devem ter sido mais felizes que os caçadores-coletores da Idade da Pedra. Mas esse relato progressista não convence.

(Adaptado de HARARI, Yuval Noah. Sapiens – Uma breve história da humanidade. Trad. Janaína Marcoantonio. Porto Alegre, RS: L&PM, 2018, p. 386-387)


Considerando-se o contexto, traduz-se adequadamente o sentido de um segmento do texto em:

Resposta comentada

Gabarito Alternativa A

Para "traduzir adequadamente o sentido" de um segmento, precisamos encontrar uma expressão que mantenha o mesmo significado, tom e contexto da frase original. Isso geralmente envolve o uso de sinônimos ou paráfrases que não alterem a ideia central.

  • (A) Correta: aliviar sofrimento e satisfazer aspirações (3º parágrafo) = atenuar padecimento e realizar anelos. "Aliviar" é sinônimo de "atenuar" (diminuir a intensidade). "Sofrimento" é sinônimo de "padecimento" (dor, aflição). "Satisfazer" é sinônimo de "realizar" (cumprir, concretizar). "Aspirações" é sinônimo de "anelos" (desejos, ambições). Todos os termos são substituídos por sinônimos adequados, mantendo o sentido exato.
  • (B) Incorreta: uma série de revoluções de tirar o fôlego (1º parágrafo) = uma sequência de ríspidas alterações desafogadas. "De tirar o fôlego" significa algo surpreendente, impressionante, espantoso. "Ríspidas" (ásperas, bruscas) não transmite essa ideia de admiração, e "desafogadas" (aliviadas, desimpedidas) não tem relação alguma com o sentido original, sendo a principal armadilha aqui.
  • (C) Incorreta: depósitos inesgotáveis de felicidade (2º parágrafo) = dimensões altruístas de prazer. "Depósitos inesgotáveis" refere-se a uma fonte ou quantidade ilimitada. "Dimensões altruístas de prazer" muda o foco para o tipo ou a natureza do prazer (relacionado ao altruísmo), não à sua quantidade ou fonte.
  • (D) Incorreta: Se não, qual o sentido de desenvolver (2º parágrafo) = Ainda assim, que significado tem de implementar. "Se não" introduz uma condição negativa ("caso contrário", "se isso não for verdade"). "Ainda assim" introduz uma concessão ou contraste ("mesmo assim", "apesar disso"). A alteração do conector lógico muda o sentido da frase.
  • (E) Incorreta: no que concerne à fonte real de felicidade humana (3º parágrafo) = no que restringe a condição objetiva de ser feliz. "No que concerne a" significa "no que diz respeito a", "em relação a". "No que restringe a" significa "no que limita a". A mudança de "concerne" para "restringe" altera completamente o significado, de relevância para limitação.

Fonte: FCC MPMT 2019 Promotor de Justiça Substituto (Caderno Tipo 002). Reproduzida para fins de estudo.

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