Questão nº 7
Questão de Língua Portuguesa · FCC MPMT 2019 (nº 7)
[Nossa quota de felicidade]
Os últimos 500 anos testemunharam uma série de revoluções de tirar o fôlego. A Terra foi unida em uma única esfera histórica e ecológica. A economia cresceu exponencialmente, e hoje a humanidade desfruta do tipo de riqueza que só existia nos contos de fadas. A ciência e a Revolução Industrial deram à humanidade poderes sobre-humanos e energia praticamente sem limites. A ordem social foi totalmente transformada, bem como a política, a vida cotidiana e a psicologia humana.
Mas somos mais felizes? A riqueza que a humanidade acumulou nos últimos cinco séculos se traduz em contentamento? A descoberta de fontes de energia inesgotáveis abre diante de nós depósitos inesgotáveis de felicidade? Voltando ainda mais tempo, os cerca de 70 milênios desde a Revolução Cognitiva tornaram o mundo um lugar melhor para se viver? O falecido astronauta Neil Armstrong, cuja pegada continua intacta na Lua sem vento, foi mais feliz que os caçadores-coletores anônimos que há 30 mil anos deixaram suas marcas de mão em uma parede na caverna? Se não, qual o sentido de desenvolver agricultura, cidades, escrita, moeda, impérios, ciência e indústria?
Os historiadores raramente fazem essas perguntas. Mas essas são as perguntas mais importantes que podemos fazer à história. A maioria dos programas ideológicos e políticos atuais se baseia em ideias um tanto frágeis no que concerne à fonte real de felicidade humana. Em uma visão comum, as capacidades humanas aumentaram ao longo da história. Considerando que os humanos geralmente usam suas capacidades para aliviar sofrimento e satisfazer aspirações, decorre que devemos ser mais felizes que nossos ancestrais medievais e que estes devem ter sido mais felizes que os caçadores-coletores da Idade da Pedra. Mas esse relato progressista não convence.
(Adaptado de HARARI, Yuval Noah. Sapiens – Uma breve história da humanidade. Trad. Janaína Marcoantonio. Porto Alegre, RS: L&PM, 2018, p. 386-387)
Está plenamente adequado o emprego do elemento sublinhado na frase:
- AEstá na remota Revolução Cognitiva a origem de uma escalada progressista de que os nossos ancestrais não podiam se dar conta. (alternativa correta)
- BAs riquezas em que faz alusão o autor do texto, no primeiro parágrafo, dizem respeito aos últimos 500 anos.
- CHá no homem capacidades inventivas às quais ele não se dá conta senão quando passa a necessitar delas.
- DO progresso da civilização, de cujo a humanidade tanto aspira, é questionado pelo autor ao final do texto.
- EA falta de perguntas sobre a nossa felicidade, em cuja importância sequer suspeitamos, é uma falha dos nossos projetos.
Resposta comentada
Gabarito Alternativa A
O conceito-chave aqui é a regência verbal e nominal combinada com o uso de pronome relativo. A regência determina qual preposição um verbo ou um nome exige para se ligar ao seu complemento. O pronome relativo (como que, cujo, o qual) retoma um termo anterior e, se a regência do verbo ou nome na oração relativa exigir uma preposição, essa preposição deve vir antes do pronome relativo.
(A) Correta: O verbo "se dar conta" exige a preposição "de" (quem se dá conta, se dá conta de algo). O pronome relativo "que" retoma "escalada progressista". Portanto, a construção "de que" está plenamente adequada, pois a preposição "de" é exigida pela regência do verbo "se dar conta".
(B) Incorreta: O verbo "fazer alusão" rege a preposição "a" (fazer alusão a algo). O correto seria "a que" ou "às quais" (se referindo a "riquezas").
(C) Incorreta: O verbo "se dar conta" rege a preposição "de" (se dar conta de algo). O correto seria "das quais" (de + as quais) ou "de que".
(D) Incorreta: O verbo "aspirar" no sentido de desejar rege a preposição "a" (aspirar a algo). A construção "de cujo a" é gramaticalmente incorreta. O pronome "cujo" estabelece posse e concorda com o substantivo que o segue (não é o caso aqui), e a regência de "aspirar" é "a", não "de". A armadilha está no uso incorreto de "cujo" e na preposição errada. O correto seria "a que" ou "ao qual".
(E) Incorreta: O verbo "suspeitar" rege a preposição "de" (suspeitar de algo). O correto seria "de cuja" (de + cuja).
Fonte: FCC MPMT 2019 Promotor de Justiça Substituto (Caderno Tipo 002). Reproduzida para fins de estudo.