Questão nº 8

Questão de Língua Portuguesa · FCC MPMT 2019 (nº 8)

FCC2019Promotor de Justiça SubstitutoLíngua Portuguesa
Gabarito: Dver comentário ↓

[Nossa quota de felicidade]

Os últimos 500 anos testemunharam uma série de revoluções de tirar o fôlego. A Terra foi unida em uma única esfera histórica e ecológica. A economia cresceu exponencialmente, e hoje a humanidade desfruta do tipo de riqueza que só existia nos contos de fadas. A ciência e a Revolução Industrial deram à humanidade poderes sobre-humanos e energia praticamente sem limites. A ordem social foi totalmente transformada, bem como a política, a vida cotidiana e a psicologia humana.

Mas somos mais felizes? A riqueza que a humanidade acumulou nos últimos cinco séculos se traduz em contentamento? A descoberta de fontes de energia inesgotáveis abre diante de nós depósitos inesgotáveis de felicidade? Voltando ainda mais tempo, os cerca de 70 milênios desde a Revolução Cognitiva tornaram o mundo um lugar melhor para se viver? O falecido astronauta Neil Armstrong, cuja pegada continua intacta na Lua sem vento, foi mais feliz que os caçadores-coletores anônimos que há 30 mil anos deixaram suas marcas de mão em uma parede na caverna? Se não, qual o sentido de desenvolver agricultura, cidades, escrita, moeda, impérios, ciência e indústria?

Os historiadores raramente fazem essas perguntas. Mas essas são as perguntas mais importantes que podemos fazer à história. A maioria dos programas ideológicos e políticos atuais se baseia em ideias um tanto frágeis no que concerne à fonte real de felicidade humana. Em uma visão comum, as capacidades humanas aumentaram ao longo da história. Considerando que os humanos geralmente usam suas capacidades para aliviar sofrimento e satisfazer aspirações, decorre que devemos ser mais felizes que nossos ancestrais medievais e que estes devem ter sido mais felizes que os caçadores-coletores da Idade da Pedra. Mas esse relato progressista não convence.

(Adaptado de HARARI, Yuval Noah. Sapiens – Uma breve história da humanidade. Trad. Janaína Marcoantonio. Porto Alegre, RS: L&PM, 2018, p. 386-387)


A supressão da vírgula altera efetivamente o sentido da frase:

Resposta comentada

Gabarito Alternativa D

A vírgula, entre outras funções, pode alterar o sentido de uma frase ao diferenciar informações essenciais de informações adicionais, especialmente em orações adjetivas. Quando uma oração adjetiva é separada por vírgula, ela é explicativa (adiciona uma informação extra sobre o antecedente, que já é bem definido). Sem vírgula, ela é restritiva (limita ou especifica o antecedente, tornando-o mais particular).

  • (A) Incorreta: A vírgula separa um adjunto adverbial de tempo/lugar ("no curso da caminhada da civilização") deslocado. Sua supressão não altera o sentido fundamental da frase, apenas a fluidez ou a ênfase.
  • (B) Incorreta: A vírgula separa um adjunto adverbial de tempo ("Ao longo dos últimos cinco séculos") deslocado. Sua supressão não altera o sentido, pois o período em que as revoluções ocorreram permanece o mesmo.
  • (C) Incorreta: A vírgula separa um adjunto adverbial de ponto de vista ("Para muitos homens") deslocado. Sua supressão não altera o sentido, pois a quem se refere a falta de sentido para indagar permanece inalterado.
  • (D) Correta: Com a vírgula, "que atinge uns poucos privilegiados" é uma oração subordinada adjetiva explicativa. Ela informa que todo progresso, por sua natureza, atinge poucos. Sem a vírgula, a oração se torna restritiva, significando que a indagação é sobre o progresso específico que atinge poucos, implicando que pode haver outro tipo de progresso (que não atinge poucos) sobre o qual se indaga. A supressão da vírgula muda o sentido de uma afirmação geral para uma restrição.
  • (E) Incorreta: A vírgula separa um adjunto adverbial de lugar/referência ("Na argumentação do autor") deslocado. Sua supressão não altera o sentido, pois o contexto em que o sentido do progresso merece ser discutido permanece o mesmo.

Fonte: FCC MPMT 2019 Promotor de Justiça Substituto (Caderno Tipo 002). Reproduzida para fins de estudo.

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