Questão nº 15

Questão de Língua Portuguesa · FCC DPE-RS 2017 (nº 15)

FCC2017Comum AnalistaLíngua Portuguesa
Gabarito: Cver comentário ↓

Sem privacidade

Ainda é possível ter privacidade em meio a celulares, redes sociais e dispositivos outros das mais variadas conexões? Os mais velhos devem se lembrar do tempo em que era feio “ouvir conversa alheia”. Hoje é impossível transitar por qualquer espaço público sem recolher informações pessoais de todo mundo. Viajando de ônibus, por exemplo, acompanham-se em conversas ao celular brigas de casal, reclamações trabalhistas, queixas de pais a filhos e vice-versa, declarações românticas, acordo de negócios, informações técnicas, transmissão de dados e um sem-número de situações de que se é testemunha compulsória. Em clara e alta voz, lances da vida alheia se expõem aos nossos ouvidos, desfazendo-se por completo a fronteira que outrora distinguia entre a intimidade e a mais aberta exposição.

Nas redes sociais, emoções destemperadas convivem com confissões perturbadoras, o humor de mau gosto disputa espaço com falácias políticas – tudo deixando ver que agora o sujeito só pode existir na medida em que proclama para o mundo inteiro seu gosto, sua opinião, seu juízo, sua reação emotiva. É como se todos se obrigassem a deixar bem claro para o resto da humanidade o sentido de sua existência, seu propósito no mundo. A discrição, a fala contida, o recolhimento íntimo parecem fazer parte de uma civilização extinta, de quando fazia sentido proteger os limites da própria individualidade.

Em meio a tais processos da irrestrita divulgação da personalidade, as reticências, a reflexão silenciosa e o olhar contemplativo surgem como sintomas problemáticos de alienação. Impõe-se um tipo de coletivismo no qual todos se obrigam a se falar, na esperança de que sejam ouvidos por todos. Nesse imenso ruído social, a reclamação por privacidade é recebida como o mais condenável egoísmo. Pretender identificar-se como um sujeito singular passou a soar como uma provocação escandalosa, em tempos de celebração do paradigma público da informação.


Os elementos sublinhados são exemplos de uma mesma função sintática no seguinte segmento:

Resposta comentada

Gabarito Alternativa C

Função sintática é o papel que uma palavra exerce na frase (ex.: adjetivo caracteriza o substantivo). Nesta questão, a banca pede para identificar palavras que exercem a mesma função — no caso, adjunto adnominal (termo que qualifica ou determina um substantivo, como um adjetivo).

  • (A) Incorreta: “emoções” e “confissões” são substantivos (núcleos dos sujeitos), não exercem função de adjunto adnominal.
  • (B) Incorreta: “do tempo” é complemento nominal (completa o sentido de “lembrar”), e “feio” é predicativo do sujeito (qualifica a oração “ouvir conversa alheia”).
  • (C) Correta: “público” e “pessoais” são adjetivos que caracterizam, respectivamente, os substantivos “espaço” e “informações” — ambos exercem adjunto adnominal.
  • (D) Incorreta: “privacidade” é objeto direto (complemento de “ter”), e “celulares” é complemento nominal (completa “em meio a”).
  • (E) Incorreta: “reclamação” é núcleo do sujeito (substantivo), e “condenável” é predicativo do objeto (qualifica “egoísmo” após o verbo “é recebida como”).

Armadilha da banca: na letra (B), muitos alunos confundem “feio” com adjetivo e acham que é adjunto adnominal, mas ele é predicativo do sujeito (pois vem depois de verbo de ligação “era”). Na letra (E), “condenável” também parece adjetivo, mas funciona como predicativo do objeto (complemento do verbo “recebida como”), não como adjunto. A pegadinha é sempre verificar se o adjetivo está diretamente ligado ao substantivo (adjunto) ou se está ligado por verbo (predicativo).

Fonte: FCC DPE-RS 2017 Conhecimentos Comuns (Analista) (Caderno Tipo 1). Reproduzida para fins de estudo.

Continue estudando

Estudar é izi

Pratique milhares de questões como esta, de graça, com explicação e gamificação no Quizinho.

Estudar de graça no Quizinho