Questão nº 8

Questão de Língua Portuguesa · FCC DPE-RS 2017 (nº 8)

FCC2017Comum AnalistaLíngua Portuguesa
Gabarito: Bver comentário ↓

[Uma espécie complicada]

O grande biólogo norte-americano Richard Dawkins acredita sem qualquer hesitação na teoria de Darwin acerca da sobrevivência dos mais fortes e capazes e na importância da adaptação a mutações fortuitas na evolução das outras espécies, mas se declara contra a ideia do darwinismo social na evolução da sua própria espécie. Aceitar o darwinismo social seria aceitar posições conservadoras em matéria de política e economia, o que vai contra suas convicções progressistas.

Já os conservadores, que negam a teoria de Darwin sobre a origem e o desenvolvimento das espécies, pregam o darwinismo social sob vários nomes: liberalismo, antidirigismo, antiassistencialismo etc. A sobrevivência, portanto, dos mais competitivos e sortudos, como no universo neutro de Darwin.

Esquerda progressista e direita conservadora trocam incoerências. A direita abomina a ideia de que o homem descende de animais inferiores, mas não tem problema com a ideia de que ele deve seu progresso à ganância que tem em comum com os chimpanzés. A esquerda aceita a ascendência de macacos e a evolução da sua espécie, mas não quer outra coisa senão um planejamento inteligente, humanista, para organizar a sua sociedade.

Progressistas costumam ser a favor do direito do aborto e contra a pena de morte. Conservadores, que denunciam a interferência indevida do Estado na vida das pessoas, invocam a santidade da vida para que o Estado proíba o aborto, e geralmente são a favor da pena de morte, a mais radical interferência possível do Estado na vida de alguém. Enfim, seja como for que chegamos a isto, somos uma espécie complicada.


O verbo indicado entre parênteses deverá flexionar-se de modo a concordar com o termo sublinhado na frase:

Resposta comentada

Gabarito Alternativa B

O segredo é achar o sujeito da oração e perguntar ao verbo: "quem é que faz/sofre essa ação?". O verbo concorda com o núcleo do sujeito, não com o termo que está mais perto dele (pegadinha clássica). Cuidado com a voz passiva sintética (com "se"), onde o sujeito vem depois do verbo.

  • (A) Incorreta: O sujeito é "A lei da sobrevivência dos mais fortes" (núcleo: "lei", singular). O correto seria "A lei... concorre". A armadilha é fazer o verbo concordar com "fortes" (plural), que está longe do núcleo.
  • (B) Correta: Aqui temos voz passiva sintética ("não se afastam"). O sujeito é "os conservadores" (plural), que vem depois do verbo. Como o núcleo é "conservadores", o verbo deve ir para o plural: "não se afastam os conservadores". A banca inverteu a ordem para confundir, mas a regra é clara: o "se" apassivador faz o verbo concordar com o sujeito paciente.
  • (C) Incorreta: O sujeito é "o progressista de esquerda" (singular). O correto seria "pelas quais manifesta simpatia o progressista". A armadilha é puxar a concordância para "teses" (plural), que é o objeto indireto, não o sujeito.
  • (D) Incorreta: O sujeito é "ao Estado" (que na verdade é objeto indireto) e o sujeito real é a oração "tomar iniciativas" (singular). O correto seria "Não cabe ao Estado tomar iniciativas". A pegadinha é concordar com "iniciativas" (plural), mas o verbo "caber" aqui concorda com a oração subjetiva, que é singular.
  • (E) Incorreta: O sujeito é "a conclusão de que nossa espécie é de fato complicada" (núcleo: "conclusão", singular). O correto seria "De todas as considerações... resulta a conclusão". A armadilha é concordar com "considerações" (plural), que é complemento nominal, não sujeito.

Fonte: FCC DPE-RS 2017 Conhecimentos Comuns (Analista) (Caderno Tipo 1). Reproduzida para fins de estudo.

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