Questão nº 9
Questão de Língua Portuguesa · FCC DETRAN-MA 2018 (nº 9)
Amor-próprio
O grande cronista Rubem Braga cunha uma frase definitiva a respeito do “amor-próprio”: “Se eu conhecesse outro sujeito igual a mim, nossas relações nunca chegariam a ser grande coisa.” Isto não quer dizer, porém, que não goste de si mesmo. Significa apenas que ele é um homem que põe, sem medos tolos, a diversidade e a surpresa em primeiro lugar. O que mais o atrai na vida é, justamente, a imprevisibilidade. O amor-próprio lhe parece, então, monótono e desnecessário. Quase um vício. Ele evita essas pessoas saudáveis e resolvidas que estão sempre cuidando de si. O cuidado de si, para Braga, é uma forma de mascaramento.
O amor-próprio de Braga se revela no uso que faz da crônica. Em suas mãos, ela é, antes de tudo, uma máquina de confessar. Praticando-a, o cronista expõe as impressões, experiências e sentimentos que o atormentam; ao escrever, enxágua a alma até a mais absoluta transparência.
(CASTELLO, José. Na cobertura de Rubem Braga. Rio de Janeiro: José Olympio, 1996, p. 56-57)
Deve-se entender, no contexto, que a frase definitiva de Rubem Braga, transcrita no primeiro parágrafo do texto, mostra que o grande cronista
- Anão conheceria muito bem a si mesmo, razão pela qual não acreditava na possibilidade de reconhecer quem se parecesse com ele.
- Bnão manifestaria apreço por quem se parecesse com ele porque, nesse caso, ele próprio deixaria de ser uma pessoa inteiramente original.
- Cnão teria interesse em se relacionar com alguém tão familiar, cujas qualidades lembrassem de perto as que ele próprio já detinha. (alternativa correta)
- Dpreferiria manter suas qualidades em segredo, razão pela qual se escandalizaria com qualquer pessoa que propagasse as próprias.
- Eadmitiria alguma identificação com um desconhecido no caso de perceber que entre ambos as diferenças pesariam tanto quanto as semelhanças.
Resposta comentada
Gabarito Alternativa C
O conceito-chave aqui é a interpretação do texto, focando em como a explicação do autor sobre a frase de Rubem Braga revela a preferência do cronista por diversidade e imprevisibilidade nas relações, em contraste com a monotonia da semelhança.
- (A) Incorreta: O texto afirma explicitamente que a frase "não quer dizer, porém, que não goste de si mesmo", o que contradiz a ideia de que ele não se conheceria bem.
- (B) Incorreta: A questão não é sobre a "originalidade" dele próprio, mas sobre o que ele busca nas relações. O texto enfatiza a busca por "diversidade e surpresa" e a aversão à "monotonia" que a semelhança traria.
- (C) Correta: A frase e sua explicação no texto indicam que Rubem Braga valoriza a "diversidade", a "surpresa" e a "imprevisibilidade". Alguém "tão familiar" e com qualidades semelhantes às suas não ofereceria esses elementos, tornando a relação "monótona e desnecessária" para ele.
- (D) Incorreta: O segundo parágrafo descreve a crônica de Braga como uma "máquina de confessar", onde ele "expõe as impressões, experiências e sentimentos", o que contradiz a ideia de que ele manteria suas qualidades em segredo.
- (E) Incorreta: A frase de Braga é sobre não querer alguém "igual a mim" (onde as semelhanças seriam esmagadoras). Se as diferenças pesassem tanto quanto as semelhanças, isso já seria uma relação com diversidade, o que ele valoriza. A alternativa distorce o sentido da aversão à igualdade total.
Fonte: FCC DETRAN-MA 2018 A01 - Analista de Trânsito (Caderno Tipo 1). Reproduzida para fins de estudo.