Questão nº 58
Questão de Ciência Política · FCC CMFOR 2019 (nº 58)
O absolutismo, como o próprio termo sugere, tem como base o poder absoluto do governante, que dessa forma
- Aage como déspota ou tirano, obedecendo a seus caprichos e interesses, sem a preocupação de justificar seu poder, expor sua imagem ou estabelecer alianças.
- Bcentraliza o governo em suas mãos, exercendo, para isso, uma estratégia populista de comunicação para conquistar a aprovação dos setores emergentes da sociedade, como a burguesia.
- Cse torna o grande líder espiritual e religioso de seus país, fundando uma igreja baseada no culto personalista de sua figura e em regras por ele inventadas.
- Dassume o comando das Forças Armadas e passa a instituir um regime militar autoritário, com a finalidade de transferir gradativamente seus poderes para uma instituição estatal considerada sólida, absoluta e impessoal.
- Eexerce o poder amparado pela tese de que sua autoridade tem origem divina, e que a monarquia é o regime ideal de governo, capaz de assegurar vitórias militares, prosperidade e o sentimento de unidade em torno da figura de um soberano. (alternativa correta)
Resposta comentada
Gabarito Alternativa E
O conceito-chave do absolutismo é a concentração total do poder político nas mãos do monarca, que se justifica pela teoria do direito divino dos reis: o soberano não responde a nenhum instituição terrena (Parlamento, nobreza ou leis), pois sua autoridade vem diretamente de Deus. Assim, ele é a lei viva, mas não age por puro capricho: precisa manter a imagem de "pai da nação" e garantir ordem, prosperidade e unidade, pois seu poder é legítimo e sagrado.
- (A) Incorreta: O déspota que age só por capricho é uma tirania, não o absolutismo clássico; o rei absoluto justifica seu poder pela origem divina e busca legitimidade, não age sem discurso.
- (B) Incorreta: A burguesia era aliada do rei contra a nobreza, mas o absolutismo não usava "estratégia populista" de comunicação; seu discurso era de sacralidade e tradição, não de aprovação popular.
- (C) Incorreta: O rei absoluto não fundava uma igreja pessoal; ele se apoiava na Igreja existente (católica ou anglicana) para legitimar seu poder, sem inventar regras religiosas próprias.
- (D) Incorreta: O absolutismo não visava transferir poder a uma instituição impessoal; pelo contrário, personificava o Estado na figura do rei ("L'État, c'est moi").
- (E) Correta: É o fundamento central do absolutismo: o rei exerce poder por graça de Deus, e a monarquia é vista como regime ideal para garantir ordem, vitórias e unidade nacional em torno do soberano.
Armadilha da banca na letra (A): Ela tenta te fazer confundir "absoluto" com "arbitrário". O poder absoluto não é sinônimo de tirania sem regras — o rei absoluto tem limites morais e religiosos (deve agir como "bom cristão") e, acima de tudo, precisa justificar sua autoridade com a tese divina. Quem cai na pegadinha acha que "absoluto" = "fazer o que quiser", mas a essência é a legitimação teológica do poder.
Fonte: FCC CMFOR 2019 Redator (Caderno Tipo 001). Reproduzida para fins de estudo.