Questão nº 51
Questão de História · FCC CMFOR 2019 (nº 51)
As políticas desenvolvimentistas dos anos 1950, levadas a cabo sobretudo nos governos de Getúlio Vargas e de Juscelino Kubitschek, acabaram por gerar dois efeitos colaterais em termos socioeconômicos, perceptíveis entre o fim dos anos 1950 e a década de 1960, tais como:
- Ao aumento dos índices de pobreza causado pela superexploração dos trabalhadores, e a diminuição da classe operária, uma vez que foram efetivados projetos de empreendedorismo rural.
- Bo incremento de impostos e tributos, devido aos custos demandados para se construir Brasília, e a devastação da Amazônia setentrional com vistas à ocupação demográfica e à exploração agrícola.
- Ca intensificação da desigualdade inter-regional, causada pela concentração de investimentos no centro-sul, e o aumento da migração interna, principalmente do Nordeste para o Sudeste do país. (alternativa correta)
- Da crise do agronegócio monopolista, por causa da política de financiamento ao pequeno produtor, e a favelização da periferia das grandes cidades, acompanhando a instalação de grandes parques industriais.
- Ea erradicação do analfabetismo, resultante de políticas nacionais de alfabetização, e a urbanização do Centro-Oeste, em virtude da abertura de estradas e núcleos de povoamento.
Resposta comentada
Gabarito Alternativa C
O conceito-chave aqui é que o desenvolvimentismo (política de forte intervenção do Estado para acelerar a industrialização) dos anos 1950 priorizou a região Centro-Sul, criando um descompasso enorme com o resto do país. Isso não gerou pobreza absoluta (como diz a A), nem crise agrícola, mas sim desigualdade regional e um forte êxodo rural (migração de pessoas do campo e do Nordeste para as cidades do Sudeste em busca de emprego industrial).
- (A) Incorreta: A industrialização aumentou a classe operária (e não a diminuiu), e não houve "empreendedorismo rural" em massa; o que houve foi êxodo rural, não fixação no campo.
- (B) Incorreta: A construção de Brasília gerou custos e endividamento, mas a "devastação da Amazônia setentrional" em larga escala é um fenômeno mais associado às décadas de 1970/1980 (com a ditadura militar), e não um efeito direto e imediato dos anos 1950.
- (C) Correta: É exatamente o efeito colateral clássico do modelo de JK e Vargas: os investimentos em indústria automobilística e infraestrutura se concentraram no eixo Rio-São Paulo, atraindo milhões de migrantes nordestinos, o que inchou as cidades e aprofundou a diferença entre o Sudeste rico e o Nordeste pobre.
- (D) Incorreta: Não houve crise do agronegócio monopolista; pelo contrário, a política era de incentivo à indústria, e a "favelização" ocorreu, mas não por causa de "financiamento ao pequeno produtor" (que era escasso), e sim pela falta de infraestrutura urbana para absorver os migrantes.
- (E) Incorreta: A erradicação do analfabetismo não ocorreu nesse período (o analfabetismo seguiu alto até os anos 1990), e a urbanização do Centro-Oeste foi um efeito secundário e menor, não um dos dois principais efeitos socioeconômicos citados pela questão.
Armadilha da banca na (B): Ela mistura um fato real (o custo de Brasília) com um exagero histórico (a devastação da Amazônia nos anos 1950). A banca sabe que o aluno lembra do "custo de Brasília" e da "marcha para o oeste", mas a devastação amazônica em larga escala é um fenômeno da ditadura militar (1964-1985), não do governo JK. Fique atento: a questão pede "efeitos perceptíveis entre o fim dos anos 1950 e a década de 1960", e a migração interna + desigualdade regional é o par perfeito que aparece em qualquer livro didático sobre a Era JK.
Fonte: FCC CMFOR 2019 Redator (Caderno Tipo 001). Reproduzida para fins de estudo.