Questão nº 11
Questão de Processo Legislativo · FCC CLDF 2018 (nº 11)
De acordo com a Constituição Federal, as Comissões Parlamentares de Inquérito gozam de poderes de investigação próprios das autoridades judiciais. Isso significa que, à luz da jurisprudência do Supremo Tribunal Federal (STF),
- Aestão autorizadas a decretar a quebra de sigilo bancário, fiscal e telefônico de pessoas investigadas, sem a intermediação do poder Judiciário, fundamentando a medida. (alternativa correta)
- Bestão autorizadas a decretar prisão preventiva e quebra de sigilo bancário e fiscal, mediante decisão fundamentada.
- Cdevem solicitar ao STF a quebra de sigilo bancário, fiscal e telefônico de pessoas investigadas, justificando a medida.
- Dpodem decretar a indisponibilidade de bens dos investigados, desde que por decisão colegiada e fundamentada a medida.
- Epodem decretar a interceptação telefônica, por tempo determinado e mediante decisão colegiada fundamentada, mantendo em sigilo o teor das informações obtidas, desde que prescindíveis ao escopo da investigação.
Resposta comentada
Gabarito Alternativa A
As Comissões Parlamentares de Inquérito (CPIs) são grupos de parlamentares que investigam fatos de interesse público, e a Constituição lhes confere poderes de investigação semelhantes aos de um juiz, mas com limitações específicas definidas pela jurisprudência do Supremo Tribunal Federal (STF).
- (A) Correta: As CPIs estão autorizadas a decretar a quebra de sigilo bancário, fiscal e telefônico de pessoas investigadas, sem a necessidade de autorização prévia do Poder Judiciário, desde que a medida seja devidamente fundamentada e essencial para a investigação. O STF entende que esses são poderes de investigação que não são privativos do Judiciário.
- (B) Incorreta: CPIs não possuem poder para decretar prisão preventiva. A decretação de prisão é uma medida de restrição da liberdade individual que compete exclusivamente ao Poder Judiciário.
- (C) Incorreta: As CPIs não precisam solicitar ao STF a quebra de sigilo bancário, fiscal e telefônico. O poder de fazê-lo diretamente, com fundamentação, é justamente o que lhes é conferido pela interpretação do STF.
- (D) Incorreta: A indisponibilidade de bens é uma medida cautelar que afeta o direito de propriedade e, como tal, exige a intervenção e decisão do Poder Judiciário, não sendo um poder direto das CPIs.
- (E) Incorreta: (Armadilha da banca) As CPIs não podem decretar a interceptação telefônica (escuta de conversas em tempo real). O STF distingue a quebra de sigilo telefônico (acesso a registros de chamadas, dados cadastrais) da interceptação telefônica (monitoramento de comunicações), sendo esta última uma medida que restringe a intimidade de forma mais profunda e, portanto, exige autorização judicial.
Fonte: FCC CLDF 2018 P01 - Procurador Legislativo (Caderno Tipo 1). Reproduzida para fins de estudo.