Questão nº 5
Questão de Língua Portuguesa · FCC CLDF 2018 (nº 5)
Atenção: Para responder às questões de números 1 a 6, baseie-se no texto abaixo.
Na dinâmica das leis
Toda legislação racionaliza os valores sociais, buscando reconhecê-los e afastá-los do âmbito das paixões ou dos interesses mais estritos do indivíduo, bem como compreendê-los no tempo vivo da História. Diz-se que as leis “caducam”, e o termo, pouco ortodoxo, é expressivo: por anacronismo, dispositivos legais podem perder a razão de ser, superados que são pela primazia que ganham novos costumes.
São vários os fatores que determinam mudanças drásticas em nosso comportamento. Entre eles está a alta tecnologia de ponta, com seus incontáveis reflexos na vida cotidiana: o que fazer, por exemplo, do direito à privacidade na onipresença de câmeras instaladas por medida de segurança? No campo da moral e da ética, das disputas políticas, das ideologias, do comportamento, dos hábitos cotidianos, muito do que ontem valia deixa de ter sentido hoje; considere-se, pois, a possibilidade sempre aberta para que um novo “espírito” de uma lei deva corresponder a uma nova prática social. Nessa atualização necessária, conta-se com a sensatez e o senso de oportunidade do legislador, sem falar na atenção continuada aos dispositivos básicos constitucionais já estabelecidos na Carta Magna.
A mobilidade dos costumes enseja a formação de novos sujeitos sociais. Note-se que, além das instituições já clássicas, nosso tempo vem testemunhando a criação dos chamados “coletivos”, cuja natureza se distingue da dos partidos políticos ou dos órgãos de classe tradicionais, embora sejam agrupamentos cuja ação se reveste de evidente importância política e cuja representação de setores específicos da sociedade pode ser vista como legítima. É possível que a legislação venha a contemplar as iniciativas desses “coletivos”, munindo-se de novos dispositivos para acompanhar os novos traços de uma sociedade em movimento.
(Alcebíades Nunes Cardoso, inédito)
Há emprego de forma verbal na voz passiva e está plenamente adequada a correlação entre os tempos e os modos dos verbos na frase:
Este texto de apoio vale também pra questão nº 1, questão nº 2, questão nº 3, questão nº 4, questão nº 6.
- ANão fossem os ajustes a que são levados os legisladores para a atualização das leis, ocorreria um grave descompasso entre estas e os hábitos sociais. (alternativa correta)
- BEmbora pudessem ser pouco ortodoxas, sempre haverá oportunidade para experimentarmos o sabor informal de algumas expressões.
- CSe um dia a mobilidade dos costumes não implicar a formação de novos grupos, menos trabalho haveria para que ocorra a atualização das leis.
- DAinda que a necessidade de atualização não fosse permanente, sempre houvera o compromisso de fazer andar no mesmo passo as leis e os usos.
- EComo não haveria quem contestasse a presença de tantas câmeras, quando estas vierem a impedir de vez a nossa privacidade?
Resposta comentada
Gabarito Alternativa A
A voz passiva ocorre quando o sujeito da frase sofre a ação do verbo, e a correlação verbal é a harmonia entre os tempos e modos dos verbos em um período, garantindo sentido lógico e gramatical.
(A) Correta: A frase apresenta a voz passiva analítica em "são levados" (verbo "ser" + particípio passado), onde "os legisladores" sofrem a ação de "ser levados". A correlação verbal "Não fossem (Pretérito Imperfeito do Subjuntivo) ... ocorreria (Futuro do Pretérito do Indicativo)" está plenamente adequada para expressar uma condição hipotética e sua consequência.
(B) Incorreta: Não há emprego de forma verbal na voz passiva. "Pudessem ser" é um verbo de ligação com um adjetivo, não uma voz passiva de um verbo de ação.
(C) Incorreta: A correlação verbal está inadequada. "Se um dia... não implicar (Futuro do Subjuntivo)" deveria ser seguido por "menos trabalho haverá (Futuro do Presente do Indicativo)" ou, se a consequência fosse "haveria", a condição deveria ser "se não implicasse (Pretérito Imperfeito do Subjuntivo)". Além disso, não há voz passiva.
(D) Incorreta: A correlação verbal entre "Ainda que... não fosse (Pretérito Imperfeito do Subjuntivo)" e "sempre houvera (Pretérito Mais-que-Perfeito do Indicativo)" é inadequada. O mais-que-perfeito simples não se encaixa bem como consequência de uma concessão hipotética no passado. O correto seria "haveria" ou "tinha havido". Não há voz passiva.
(E) Incorreta: A correlação verbal é confusa e inadequada. A combinação de "Como não haveria (Futuro do Pretérito do Indicativo)" com "quando estas vierem (Futuro do Subjuntivo)" não forma uma estrutura gramaticalmente coesa e lógica. Não há voz passiva.
Fonte: FCC CLDF 2018 P01 - Procurador Legislativo (Caderno Tipo 1). Reproduzida para fins de estudo.