Questão nº 35
Questão de Jornalismo · FCC ALAP 2019 (nº 35)
Twitter não mede bem a opinião pública, revela pesquisa:
[...] Para se ter uma ideia do que determinada faixa etária ou região do planeta pensa sobre um assunto, o Twitter pode parecer inicialmente um bom começo. Porém, quem depende somente do sistema de microblogs para ver a reação a assuntos delicados pode estar obtendo uma versão deturpada da opinião pública em geral.
Segundo uma pesquisa feita pelo Pew Research Center, as opiniões divulgadas no site diferem muito daquelas expressas em outros meios. O relatório mostra que quem participa do serviço tende a ser mais liberal do que a média − exemplo disso foi a última eleição presidencial norte-americana, na qual Barack Obama aparecia de forma mais positiva no Twitter do que em outros veículos.
A aparente inviabilidade de medição da opinião pública pelas tendências apresentadas numa rede social como o Twitter, no momento em que a matéria acima foi escrita, é:
- AO acesso já se constituía num filtro etário e socioeconômico, fazendo com que apenas uma parcela da população fosse verificada. (alternativa correta)
- BEmbora todas as parcelas da população se façam representar proporcionalmente, os usuários constroem personagens de si.
- CAs necessidades em termos de capacidades cognitivas e fluência em uso das tecnologias digitais favorecem os liberais.
- DO algoritmo usado por redes sociais impulsiona propositalmente as posições políticas liberais, cerceando as conservadoras.
- EApenas visões de mundo compartilhadas por pessoas e instituições economicamente poderosas se difundem nas redes sociais.
Resposta comentada
Gabarito Alternativa A
Conceito-chave: A opinião pública medida em redes sociais não representa a população inteira, porque o acesso à internet e o uso de plataformas como o Twitter são desiguais. Isso cria um filtro — só quem tem recursos, idade e escolaridade para estar ali é "ouvido", distorcendo a foto geral da sociedade.
- (A) Correta: O acesso ao Twitter, na época da pesquisa, já era restrito por idade e renda (jovens, urbanos, classes A/B), então a amostra não representava a população como um todo — era só uma fatia, não o bolo inteiro.
- (B) Incorreta: A pesquisa mostra justamente o oposto: os grupos não se representam proporcionalmente; há super-representação de liberais e sub-representação de conservadores e mais velhos.
- (C) Incorreta: A pegadinha aqui é trocar "filtro socioeconômico" por "capacidade cognitiva" — não é uma questão de inteligência ou fluência digital, mas de acesso e inclusão digital; além disso, "favorecer liberais" é consequência do perfil do usuário, não causa.
- (D) Incorreta: A armadilha é atribuir ao algoritmo uma intenção política deliberada; o texto fala em diferença de opiniões dos usuários, não em manipulação proposital da plataforma.
- (E) Incorreta: Outro distrator tentador: o texto não afirma que só "poderosos economicamente" se difundem; a questão é de quem participa (acesso), não de censura ou domínio de discurso por elites.
Fonte: FCC ALAP 2019 Analista Legislativo - Comunicador Social/Jornalismo (Caderno Tipo 001). Reproduzida para fins de estudo.