Questão nº 13
Questão de Língua Portuguesa · CEBRASPE SEFAZ-RJ Auditor 2025 - Específicos II (nº 13)
Texto 2A1-II
É surpreendente o que a linguagem consegue fazer. Com
poucas sílabas, ela consegue expressar um incalculável número
de pensamentos, a tal ponto que, até para um pensamento pela
primeira vez apreendido por um ser humano, ela encontra uma
roupagem por meio da qual um outro ser humano é capaz de
apreendê-lo, ainda que esse pensamento lhe seja inteiramente
novo. Isso não seria possível se não pudéssemos distinguir no
pensamento partes que correspondem a partes de uma sentença,
de modo que a estrutura da sentença sirva como imagem da
estrutura do pensamento. É verdade que falamos figuradamente
quando aplicamos ao pensamento a relação todo-parte. Essa
analogia, porém, é tão clara e, de modo geral, tão pertinente que
dificilmente nos deixamos perturbar por suas eventuais
imperfeições.Se encaramos os pensamentos como compostos de partes
simples, e se a estas correspondem, por sua vez, partes simples
da sentença, então podemos compreender como é possível
formar, a partir de poucas partes da sentença, uma grande
variedade de sentenças, às quais, por sua vez, corresponde uma
grande variedade de pensamentos. Cabe aqui perguntar como o
pensamento se constrói e como suas partes são combinadas de
modo que o todo se torne algo mais do que as partes
isoladamente.
A correção gramatical e a coerência do texto 2A1-II seriam
mantidas caso fosse isolado por vírgulas o trecho
- A"quando aplicamos" (penúltimo período do primeiro parágrafo).
- B"ao pensamento" (penúltimo período do primeiro parágrafo).
- C"no pensamento" (terceiro período do primeiro parágrafo). (alternativa correta)
- D"como imagem" (terceiro período do primeiro parágrafo).
- E"que correspondem" (terceiro período do primeiro parágrafo).
Resposta comentada
Gabarito Alternativa C
Conceito-chave: A vírgula isola termos que exercem a mesma função sintática ou que podem ser deslocados na frase sem quebrar a estrutura. No caso, o trecho "no pensamento" é um adjunto adverbial de lugar que pode ser deslocado para o início da oração sem prejuízo, por isso pode ser isolado por vírgulas.
- (A) Incorreta: "quando aplicamos" é uma oração subordinada adverbial temporal; isolá-la por vírgulas quebraria a coesão com o verbo "falamos" (ficaria "falamos, quando aplicamos, ao pensamento..."), gerando ambiguidade e erro de regência.
- (B) Incorreta: "ao pensamento" é complemento do verbo "aplicamos" (objeto indireto); separá-lo por vírgulas do verbo criaria uma pausa indevida entre verbo e complemento, quebrando a estrutura sintática.
- (C) Correta: "no pensamento" é adjunto adverbial de lugar, deslocável e de natureza acessória; isolá-lo por vírgulas mantém a correção e a coerência, pois a oração "distinguir no pensamento partes" continua íntegra e o sentido permanece claro.
- (D) Incorreta: "como imagem" é predicativo do objeto "a estrutura da sentença"; separá-lo por vírgulas o transformaria em aposto explicativo, alterando o sentido original (a estrutura não é "imagem", ela serve como imagem).
- (E) Incorreta: "que correspondem" inicia uma oração adjetiva restritiva (sem vírgulas, por definição); isolá-la por vírgulas a tornaria explicativa, o que mudaria o sentido: passaria a indicar que todas as partes correspondem, quando o texto diz apenas "partes que correspondem" (um subconjunto). Armadilha da banca: o aluno vê "que" e pensa em oração explicativa, mas o contexto exige restrição — a vírgula aqui seria um erro de pontuação que altera a lógica do período.
Fonte: CEBRASPE SEFAZ-RJ Auditor 2025 - Específicos II Auditor Fiscal da Receita Estadual (Caderno Conhecimentos Específicos II). Reproduzida para fins de estudo.