Questão nº 15

Questão de Direito Constitucional · FGV TJDFT 2022 (nº 15)

FGV2022Comum ADM-9 TJDFTDireito Constitucional
Gabarito: Aver comentário ↓

Após grande mobilização dos servidores públicos do Estado Alfa, foi promulgada a Lei estadual nº XX. De acordo com esse diploma normativo, os servidores públicos, titulares de cargos de provimento efetivo, que ocupassem cargos em comissão por um período mínimo de oito anos consecutivos, fariam jus à incorporação do respectivo valor à remuneração do cargo efetivo.
Irresignado com o teor da Lei estadual nº XX, o governador do Estado solicitou que fosse analisada a sua compatibilidade com a ordem constitucional, concluindo-se, corretamente, que esse diploma normativo é:

Resposta comentada

Gabarito Alternativa A

Conceito-chave: A Constituição veda expressamente que valores recebidos por ocupar um cargo em comissão ou função de confiança (cargos de livre nomeação, sem concurso) sejam somados para sempre ao salário do cargo efetivo (o cargo conquistado por concurso). Isso existe para impedir que vantagens temporárias virem um "direito adquirido" eterno, evitando privilégios e desigualdades no serviço público.

  • (A) Correta: É o gabarito: a lei estadual é inconstitucional, pois a Constituição Federal proíbe a incorporação de vantagens de cargo em comissão ou função de confiança à remuneração do cargo efetivo, independentemente do tempo de exercício (mesmo 8 anos).
  • (B) Incorreta: A armadilha aqui é inverter o raciocínio: a lei não é inconstitucional por "não estender" o benefício a funções de confiança; ela é inconstitucional por conceder a incorporação, algo que a Constituição proíbe. A banca tenta confundir quem pensa em "isonomia", mas o problema é o oposto: a regra é vedada para todos.
  • (C) Incorreta: Afirma o contrário do que a Constituição diz: a regra é que nenhuma vantagem de cargo em comissão/função de confiança pode ser incorporada, e não que "somente" as de função de confiança poderiam. A inversão do sujeito é a pegadinha.
  • (D) Incorreta: A proporcionalidade não "salva" a lei: a vedação constitucional é absoluta, não admitindo incorporação integral ou proporcional. O vício está na própria criação da vantagem, não na sua extensão.
  • (E) Incorreta: A "segurança jurídica" não pode justificar o que a Constituição proíbe expressamente. O princípio da legalidade e da moralidade administrativa prevalece sobre um suposto "direito adquirido" a uma vantagem que jamais poderia ter sido criada.

Fonte: FGV TJDFT 2022 Conhecimentos Comuns (ADM-9 TJDFT) (Caderno Tipo 1). Reproduzida para fins de estudo.

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