Questão nº 5
Questão de Língua Portuguesa · FGV TJDFT 2022 (nº 5)
“A arte de interrogar não é tão fácil como se pensa. É mais uma arte de mestres do que discípulos; é preciso já ter aprendido muitas coisas para saber perguntar o que não se sabe.”
A frase abaixo que mostra uma interrogação, ainda que indireta, é:
- ASei o porquê de ele ter chegado atrasado;
- BVi quando o táxi capotou;
- CDesconheço onde ele mora; (alternativa correta)
- DVi como ela fez isso;
- EQueria conhecer todas as respostas.
Resposta comentada
Gabarito Alternativa C
Interrogação indireta é uma pergunta que não usa ponto de interrogação nem a entonação de pergunta; ela vem embutida em uma oração subordinada, geralmente introduzida por um pronome ou advérbio interrogativo (como onde, como, quando, por que, se). O verbo principal indica dúvida, desconhecimento ou desejo de saber.
- (A) Incorreta: “Sei o porquê de ele ter chegado atrasado” — aqui “porquê” é um substantivo (com sentido de “motivo”), e a frase afirma um conhecimento, não expressa uma pergunta indireta.
- (B) Incorreta: “Vi quando o táxi capotou” — “quando” é uma conjunção temporal (indica tempo), não um pronome interrogativo; a frase relata um fato observado, sem dúvida ou questionamento.
- (C) Correta: “Desconheço onde ele mora” — o verbo “desconheço” indica falta de informação, e “onde” é um advérbio interrogativo que introduz a pergunta indireta: “onde ele mora?”. A estrutura equivale a “não sei a resposta para a pergunta: onde ele mora?”.
- (D) Incorreta: “Vi como ela fez isso” — “como” aqui é uma conjunção de modo (indica a maneira), e a frase afirma que a pessoa viu o modo, não expressa dúvida ou pergunta.
- (E) Incorreta: “Queria conhecer todas as respostas” — não há pronome ou advérbio interrogativo, nem uma oração subordinada que represente uma pergunta; é apenas um desejo genérico.
Armadilha da banca: a letra B é o distrator mais tentador, pois “quando” parece interrogativo. Mas, no contexto, “quando o táxi capotou” é uma oração subordinada adverbial temporal (indica o momento do fato), não uma pergunta indireta. Para ser interrogação indireta, o verbo principal teria que expressar dúvida ou ignorância (ex.: “não sei quando o táxi capotou”). A banca explora a confusão entre conjunção temporal e advérbio interrogativo.
Fonte: FGV TJDFT 2022 Conhecimentos Comuns (ADM-9 TJDFT) (Caderno Tipo 1). Reproduzida para fins de estudo.