Questão nº 56
Questão de Engenharia Civil · FGV TCE-TO 2022 (nº 56)
A norma DNIT 184/2018 – ME estabelece os procedimentos de ensaio uniaxial de carga repetida para determinação da resistência à deformação permanente em misturas asfálticas.
Segundo essa norma, a deformação permanente () pode ser expressa pelo modelo de Francken, em função do número de ciclos N, sendo A, B, C e D constantes:
Durante um ensaio em um corpo de prova asfáltico, foram encontrados os seguintes valores das constantes do modelo:
A = 500
B = 0,5
C = 1000
D = 0,01

Utilizando a tabela auxiliar acima, é possível afirmar que o número de fluxo (Flow Number) está compreendido entre os ciclos:
- A0 e 50;
- B50 e 100; (alternativa correta)
- C100 e 150;
- D150 e 200;
- E200 e 250.
Resposta comentada
Gabarito Alternativa B
O Número de Fluxo (Flow Number) é o número de ciclos de carga em que a taxa de deformação permanente de uma mistura asfáltica atinge um valor mínimo. Em termos mais simples, é o ponto onde o material, após um endurecimento inicial, começa a se deformar rapidamente de novo sob carga. Matematicamente, isso corresponde ao ponto de inflexão na curva de deformação permanente, onde a segunda derivada da deformação permanente em relação ao número de ciclos é igual a zero.
Para encontrar o Número de Fluxo, precisamos calcular a primeira e a segunda derivada da equação de Francken:
\varepsilon_p = A N^B + C(e^{DN} - 1)\
-
Primeira derivada (taxa de deformação):
\frac{d\varepsilon_p}{dN} = A B N^{B-1} + C D e^{DN}\ -
Segunda derivada:
Agora, substituímos os valores das constantes: A = 500, B = 0.5, C = 1000, D = 0.01.
Para encontrar o Número de Fluxo, igualamos a segunda derivada a zero:
Agora, usamos a tabela auxiliar para verificar em qual intervalo essa igualdade é satisfeita (ou onde a expressão muda de sinal).
Vamos calcular os valores para os pontos da tabela:
| N | Termo 1 () | Termo 2 () | Soma (Termo 1 + Termo 2) | ||
|---|---|---|---|---|---|
| 50 | 0.002828 | 1.6487 | |||
| 100 | 0.001 | 2.7183 |
Observamos que em N=50, a segunda derivada é negativa (-0.18863). Em N=100, a segunda derivada é positiva (0.14683). Como houve uma mudança de sinal entre N=50 e N=100, significa que o valor de N para o qual a segunda derivada é zero (o Número de Fluxo) está compreendido nesse intervalo.
(A) Incorreta: Em N=50, a segunda derivada é negativa, indicando que o ponto de mínimo da taxa de deformação ainda não foi atingido.
(B) Correta: A segunda derivada muda de sinal de negativo para positivo entre N=50 e N=100, o que significa que o Número de Fluxo (onde a segunda derivada é zero) está nesse intervalo.
(C) Incorreta: Em N=100 e N=150, a segunda derivada já é positiva, indicando que o ponto de mínimo da taxa de deformação já foi ultrapassado. A armadilha aqui seria não entender que o Flow Number é o ponto de inflexão (segunda derivada zero), e não apenas um valor mínimo na tabela.
(D) Incorreta: Em N=150 e N=200, a segunda derivada continua positiva, confirmando que o ponto de mínimo já passou.
(E) Incorreta: Em N=200 e N=250, a segunda derivada continua positiva, confirmando que o ponto de mínimo já passou.
Fonte: FGV TCE-TO 2022 Auditor de Controle Externo - Engenharia Civil (Caderno Tipo 1). Reproduzida para fins de estudo.