Questão nº 67
Questão de Enfermagem · FGV TCE-TO 2022 (nº 67)
Paciente do sexo masculino, 72 anos, sofreu infarto agudo do miocárdio com síndrome isquêmica aguda sem supradesnível do segmento ST, com histórico de infarto prévio e diabetes mellitus. Refere angina em repouso com duração < 20min e alívio espontâneo, apresentou ECG com inversão da onda T > 2mm e ondas Q patológicas.
Com base nos critérios de estratificação, esse paciente apresenta um risco de morte:
- Aleve;
- Bbaixo;
- Cmoderado; (alternativa correta)
- Dalto;
- Emuito alto.
Resposta comentada
Gabarito Alternativa C
O conceito-chave é a estratificação de risco em pacientes com Síndrome Coronariana Aguda sem supradesnível do segmento ST (NSTE-ACS). Ela avalia a probabilidade de eventos adversos graves, como morte, novo infarto ou isquemia recorrente, com base em características clínicas, eletrocardiográficas e laboratoriais, para guiar o tratamento adequado.
- (A) Incorreta: O paciente apresenta múltiplos fatores de risco (idade avançada, diabetes, infarto prévio), angina em repouso, e alterações eletrocardiográficas significativas (inversão de onda T > 2mm, ondas Q patológicas), além do diagnóstico de infarto agudo do miocárdio sem supradesnível do ST (NSTEMI). Isso o exclui da categoria de risco leve.
- (B) Incorreta: Da mesma forma que o risco leve, o risco baixo não se aplica a um paciente com NSTEMI e tantos fatores de risco e evidências de isquemia e dano miocárdico.
- (C) Correta: O paciente possui diversos fatores que o colocam em risco significativo: idade avançada (72 anos), histórico de infarto prévio, diabetes mellitus, angina em repouso e alterações eletrocardiográficas (inversão de onda T > 2mm e ondas Q patológicas). O diagnóstico de NSTEMI por si só já indica um risco elevado em comparação com angina instável sem necrose. No entanto, a ausência de sinais de instabilidade hemodinâmica, insuficiência cardíaca aguda, arritmias ventriculares graves ou angina refratária (a angina relatada teve alívio espontâneo e duração < 20min) impede que seja classificado como "alto" ou "muito alto" risco de morte imediata. A combinação desses fatores o enquadra na categoria de risco moderado, exigindo atenção e tratamento rápidos, mas sem a urgência extrema de um risco "muito alto".
- (D) Incorreta: Embora o paciente tenha NSTEMI e múltiplos fatores de risco, a ausência de instabilidade hemodinâmica, insuficiência cardíaca aguda, arritmias graves ou isquemia refratária (angina com alívio espontâneo) o diferencia de um paciente de "alto" risco de morte, que geralmente apresenta complicações mais agudas e descompensadas. A armadilha aqui é que o NSTEMI é frequentemente associado a uma estratégia invasiva precoce (dentro de 24h), que é classificada como "alto risco" em algumas diretrizes para intervenção. Contudo, a questão se refere ao risco de morte, que é uma avaliação mais abrangente e que, na ausência de descompensação aguda, pode ser moderado.
- (E) Incorreta: O risco "muito alto" é reservado para pacientes com instabilidade hemodinâmica (choque cardiogênico), arritmias ventriculares ameaçadoras à vida, isquemia refratária ao tratamento, insuficiência cardíaca aguda grave ou complicações mecânicas do infarto, condições que não foram descritas neste caso.
Fonte: FGV TCE-TO 2022 Analista Técnico - Enfermagem (Caderno Tipo 1). Reproduzida para fins de estudo.