Questão nº 76
Questão de Engenharia Mecânica · FGV TCE-PA 2024 (nº 76)
A figura a seguir apresenta o diagrama de transformação isotérmica para uma liga ferro-carbono com composição eutetoide.

Uma pequena amostra desse aço foi mantida, inicialmente, a 780°C durante o tempo necessário para ser obtida uma estrutura austenítica completa e homogênea. Logo a seguir, essa estrutura foi submetida aos tratamentos tempo-temperatura definidos pela sequência ABCDE.
Após esses tratamentos, a microestrutura final dessa amostra é composta por
- A100% perlita.
- B100% bainita.
- C100% martensita.
- D50% bainita e 50% martensita. (alternativa correta)
- E50% perlita e 50% bainita.
Resposta comentada
Gabarito Alternativa D
O Diagrama TTT (Tempo-Temperatura-Transformação) mostra como a austenita (uma fase de alta temperatura do aço) se transforma em outras microestruturas (como perlita, bainita ou martensita) dependendo do tempo em que o material é mantido a uma temperatura constante (transformação isotérmica) ou resfriado.
Análise do processo ABCDE:
- Início (780°C): A amostra é 100% austenita homogênea.
- A → B (Resfriamento e Patamar a 400°C): A amostra é resfriada rapidamente de 780°C até 400°C (ponto A) e mantida nessa temperatura. No ponto B, o tempo de permanência a 400°C é suficiente para que 50% da austenita se transforme em bainita. Os outros 50% permanecem como austenita não transformada.
- B → C (Resfriamento para 200°C): A amostra é resfriada rapidamente de 400°C para 200°C. Durante esse resfriamento, não há tempo para mais transformações isotérmicas de perlita ou bainita. No entanto, a linha Ms (Martensita Start) é cruzada, e a transformação martensítica começa. A estrutura é 50% bainita e 50% austenita (que agora está começando a se transformar em martensita).
- C → D (Patamar a 200°C): A amostra é mantida a 200°C. A transformação martensítica é atérmica, ou seja, depende da temperatura, não do tempo. A quantidade de martensita formada é determinada pela temperatura mais baixa atingida. Manter a 200°C não altera a proporção de martensita se a temperatura não cair mais.
- D → E (Resfriamento para temperatura ambiente): A amostra é resfriada rapidamente de 200°C até a temperatura ambiente. Este resfriamento leva a temperatura abaixo da linha Mf (Martensita Finish). Isso significa que toda a austenita remanescente (os 50% que não se transformaram em bainita) se transforma completamente em martensita.
Portanto, a microestrutura final será composta pelos 50% de bainita formados no patamar a 400°C e pelos 50% de martensita formados a partir da austenita remanescente durante o resfriamento final abaixo de Mf.
- (A) Incorreta: A perlita se forma em temperaturas mais altas (acima de 550°C) e com tempos de permanência mais longos do que os usados no tratamento, que incluiu um patamar na região da bainita e resfriamento para formar martensita.
- (B) Incorreta: Apenas 50% da austenita se transformou em bainita no patamar a 400°C. A outra metade permaneceu austenita até ser resfriada para formar martensita.
- (C) Incorreta: Para ter 100% martensita, toda a austenita deveria ter sido resfriada rapidamente abaixo de Mf sem passar pela região de formação de perlita ou bainita. No entanto, 50% da austenita se transformou em bainita antes do resfriamento para formar martensita.
- (D) Correta: No patamar a 400°C (trecho AB), 50% da austenita se transformou em bainita. A austenita remanescente (50%) foi então resfriada rapidamente abaixo da temperatura Mf (trecho DE), transformando-se completamente em martensita.
- (E) Incorreta: Não há formação de perlita neste tratamento, pois as temperaturas e tempos não foram adequados para sua formação. A armadilha aqui é confundir a região de formação de bainita com a de perlita, ou assumir que a austenita remanescente se transformaria em perlita, o que não ocorre devido às temperaturas e velocidades de resfriamento aplicadas.
Fonte: FGV TCE-PA 2024 Auditor de Controle Externo - Administrativa - Engenharia Mecânica (Caderno Tipo 1). Reproduzida para fins de estudo.